O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou hoje que está a compilar todos os documentos relevantes para esclarecer a polémica envolvendo as obras na sua casa em Odemira e um atrelado encontrado nas instalações da empresa que realizou os trabalhos. Em declarações em Viana do Castelo, Neves prometeu responder ponto por ponto, saudando a investigação aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Estou a reunir todos os documentos, tudo aquilo que eu entendo que é relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer a todos”, declarou, acrescentando que responderá “em todo o lado”. Neves referiu ainda que, relativamente ao inquérito da PGR, “ainda bem que foi aberto”.
O caso ganhou relevo após a Polícia Judiciária (PJ) anunciar, na passada sexta-feira, a abertura de um inquérito sobre um atrelado apreendido no âmbito de um processo de tráfico de droga (Operação Pacoba), que foi encontrado atracado a um camião da Construbarcelos, empresa que fez obras na propriedade do ministro. A PGR confirmou a existência do inquérito.
A polémica começou a 10 de julho, com uma reportagem do semanário Nascer do Sol que revelou que Neves contratou a Construbarcelos para remodelar um imóvel em Odemira, sendo que a mesma empresa já tinha realizado obras para a PJ quando o ministro era diretor nacional. Entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor que Neves confirmou em entrevista à TVI/CNN.
A Câmara de Odemira anunciou estar a verificar a legalidade das obras no imóvel de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio, sublinhando que não há qualquer processo de licenciamento em curso para os prédios em causa.