O crescimento das áreas de packaging e tissue e a “recuperação dos volumes e dos preços nos principais negócios”, que representam 30% do volume de negócios, deram à The Navigator Company um crescimento de 4% do volume de negócios, face ao trimestre anterior, para os 442 milhões de euros. O EBITDA aumentou 21%, para 79 milhões de euros comparando com o mesmo período.

Em comunicado, a Navigator informa que a sua margem EBITDA subiu para 18% (+2,6 p.p.), enquanto o resultado líquido fixou-se em 32 milhões de euros , um crescimento de 85%.

Em relação ao conjunto do primeiro semestre, o volume de negócios totalizou 869 milhões de euros, com um EBITDA de 143 milhões de euros e um resultado líquido de 49 milhões.

De acordo com a empresa, “em resposta ao agravamento dos custos operacionais, a empresa lançou um novo programa de redução de custos variáveis, cujas iniciativas deverão compensar quase metade deste impacto ao longo de 2026. Este programa deverá gerar um contributo positivo estimado em cerca de 28 milhões de euros em 2027 e nos anos seguintes, reforçando a competitividade e a capacidade de criação de valor da Navigator”.

A Navigator encontra-se na fase final de ciclo de investimento estratégico, que, segundo a Navigator “está a reforçar as bases para uma nova etapa de crescimento sustentável e criação de valor. No 1.º semestre, o investimento total ascendeu a 127 milhões de euros, dos quais cerca de 72 milhões foram aplicados em iniciativas de natureza ambiental ou sustentável”.

“A integração de novas tecnologias e projetos industriais de última geração implicou um período de adaptação operacional, com impacto temporário nos volumes disponíveis de pasta e papel, e levou a um aumento transitório do consumo de energia fóssil, em particular gás natural, com efeitos diretos nos custos, bem como à consequente necessidade acrescida de aquisição de licenças de CO₂. Ainda assim, estes investimentos permitirão ganhos estruturais de produtividade, eficiência de recursos e desempenho ambiental, consolidando a competitividade do grupo no médio e longo prazo”, refere o comunicado da empresa.

Recuperação no preço do papel

De acordo com a empresa, o negócio de papel de impressão e escrita teve uma recuperação progressiva dos volumes e dos preços ao longo do segundo trimestre, num contexto de mercado ainda exigente. “A procura aparente global de papéis de impressão e escrita apresentou uma ligeira redução de 0,8% até abril, com o papel não revestido (UWF) a evidenciar maior resiliência, registando um crescimento de 0,4%”.

O índice de referência para o preço do papel de escritório na Europa valorizou cerca de 10 euros no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano. Neste período, a Navigator implementou aumentos de preço na Europa que contribuíram para uma evolução de 30 euros, “bem acima do indexante de mercado”.

Tissue reforça presença internacional

Na área de tissue, o volume de vendas da Navigator, em toneladas, teve desempenho em linha com o primeiro trimestre do ano, “apresentando uma evolução positiva dos preços médios de 2%”. “Este desempenho foi, contudo, condicionado pelo aumento da intensidade competitiva no Reino Unido e pelo foco na gestão de margens, num momento em que decorre um projeto de transformação do parque industrial naquele país orientado para o reforço da eficiência da operação, assente na racionalização de localizações de ativos e custos, estando prevista a sua conclusão durante o 1º semestre do próximo ano”, sublinha a empresa.

As vendas fora de Portugal do negócio Tissue representaram 80% do volume de vendas no 1.º semestre de 2026 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado espanhol, com 32% do total de vendas, o inglês, com 31% do total de vendas e o francês, com peso de 15% das vendas.

Em termos de segmentos, o canal retalho tem vindo a assumir um peso crescente, representando atualmente cerca de 84% das vendas, enquanto o segmento Horeca e escritórios representa os restantes 16%.

Packaging a crescer

O segmento de Packaging, com base na marca própria gKRAFT representa mais de 6% das vendas da Navigator no 1.º semestre, contribuindo para o reforço do equilíbrio e da robustez do portefólio da Empresa. O volume de negócios de Packaging da Navigator atingiu 53 milhões de euros no semestre, suportado por um aumento de perto de 50% no volume em toneladas, impulsionado pela crescente penetração em segmentos de baixas gramagens.

Modernização e descarbonização das operações

Ainda de acordo com o mesmo comunicado, a Navigator investiu, no primeiro semestre deste ano, 127 milhões de euros (vs. 94 milhões de euros no período homólogo), dos quais cerca de 72 milhões de euros respeitantes a investimentos em matérias ambientais ou de cariz sustentável criadoras de valor, cerca de 57% do investimento total.

A 30 de junho, o endividamento líquido situava-se em 693,2 milhões de euros, representando uma redução de 10 milhões de euros face a dezembro e um aumento de 17 milhões de euros em termos homólogos.

A maturidade média da dívida mantém-se assim adequada, com um perfil de reembolsos bem escalonado, com 95% do total de endividamento contratado com cariz sustentável e 60% da dívida total emitida a taxa fixa, diretamente ou através de instrumentos financeiros de cobertura de taxa de juro.

Perspetivas para o segundo semestre

A Navigator avançar que as perspetivas para o segundo semestre de 2026 “continuam a ser influenciadas por um enquadramento internacional exigente e muito volátil, marcado por crescente incerteza económica e geopolítica, tensões comerciais e pressão sobre as cadeias de valor”.

“Após a recuperação observada no primeiro semestre, o mercado de pasta começou a evidenciar sinais de ajustamento na China durante o mês de julho, refletindo um contexto de procura mais moderada e uma maior disponibilidade de produção doméstica. Apesar de ajustamentos de curto prazo, o enquadramento global para 2026 mantém uma expectativa de preços médios superiores aos registados em 2025, nomeadamente para fibra curta na Europa e na China”, indica a empresa.