O presidente cubano, Miguel Díaz‑Canel, afirmou este sábado que a política de “pressão máxima” aplicada pelos Estados Unidos nos últimos sete meses constitui um “castigo coletivo” de caráter “sádico”, destinado a provocar uma “explosão social” na ilha.

Num evento com simpatizantes estrangeiros, na véspera da celebração nacional de 26 de julho – aniversário do ataque frustrado ao Quartel Moncada em 1953 –, Díaz‑Canel acrescentou que o bloqueio petrolífero e as sucessivas sanções das últimas semanas têm um objetivo “perverso”.

“Digam‑me se isto não é um castigo coletivo, um crime, se não estão a condenar um povo com o propósito sádico, perverso, de procurar que essa asfixia económica provoque um explosão social”, interrogou, segundo a página oficial da Presidência cubana.

O chefe de Estado defendeu que a comunidade internacional deve ser solidária com Cuba, alertando que Washington pode replicar este tipo de pressão noutros países: “Amanhã pode acontecer a qualquer outra nação, se continuarmos a permitir”.

Apoiar Cuba, argumentou, é “defender o direito à autodeterminação dos povos, à soberania e à independência”.

Na sua perspetiva, estar ao lado de Cuba significa “lutar contra o hegemonismo, a supremacia e as pretensões de uma potência de ditar os seus desígnios a todo o mundo”, de acordo com o relato oficial do ato, ao qual não tiveram acesso meios de informação internacionais.

Díaz‑Canel reconheceu que “a Cuba de hoje é um país diferente” devido à pressão dos Estados Unidos, apontando consequências como o agravamento dos apagões, já crónicos, provocados pelo bloqueio petrolífero e a “deterioração do sistema nacional de saúde”, tradicional pilar do regime.

Cuba vive uma grave crise energética desde meados de 2024, o que se agravou desde janeiro devido ao cerco petrolífero dos Estados Unidos imposto por Washington em janeiro deste ano, medida que a ONU qualificou como contrária ao direito internacional.

A Administração norte‑americana, empenhada em forçar mudanças políticas e económicas no país, aplicou ainda sanções adicionais a pessoas ou empresas que mantenham relações com o Governo cubano.