O mercado automóvel português continua a dar sinais claros de transição energética. Dados divulgados esta semana revelam que os carros eletrificados (híbridos, elétricos e plug-in) representaram 69% das vendas de automóveis ligeiros em Portugal entre janeiro e julho, enquanto o gasóleo caiu para uns residuais 4%. Este é um marco histórico que reflete a crescente preferência dos consumidores por soluções mais limpas e eficientes.
No acumulado do ano, as vendas de automóveis ligeiros cresceram mais de 10% face ao período homólogo, ultrapassando as 180 mil unidades. Só em julho, o crescimento foi de 9%, com mais de 22,4 mil unidades vendidas. Estes números mostram uma recuperação robusta do setor, impulsionada pela oferta diversificada e pelos incentivos à mobilidade elétrica.
Entre as energias alternativas, os híbridos elétricos lideram com 28% das vendas, seguidos dos elétricos puros com 26% e dos híbridos plug-in com 15%. A gasolina representa ainda 21%, enquanto o gasóleo caiu para apenas 4%. Este cenário coloca Portugal entre os países europeus com maior penetração de veículos eletrificados, superando a média da União Europeia.
No ranking de marcas, a Peugeot assume a liderança com quase 14,9 mil unidades vendidas (quota de 10%), praticamente estável face ao ano anterior. A Mercedes-Benz surge em segundo lugar com mais de 11 mil unidades (+5,1%), seguida da Dacia, que registou uma quebra de 8% para 9,8 mil unidades. A BMW e a Volkswagen aparecem logo atrás, com mais de nove mil unidades cada, ambas com crescimentos expressivos de 8% e 12%, respetivamente.
Pelo lado negativo, a Renault sofreu uma queda de 15%, caindo para a sexta posição com 8,8 mil unidades. A Tesla, apesar de estar entre as mais vendidas, viu as suas vendas caírem 69% em julho, com apenas 89 unidades, refletindo a sazonalidade e a concorrência crescente no segmento elétrico.
No que toca aos modelos, o Peugeot 2008 lidera com mais de 5,2 mil unidades, seguido do Peugeot 208 (4,3 mil) e do Citroën C3 (quatro mil). O Tesla Model 3, que foi o elétrico mais vendido em Portugal, surge na quarta posição com mais de 3,7 mil unidades, mas sofreu uma quebra abrupta de 97% em julho, com apenas três unidades vendidas, num mês atípico.
Estes dados reforçam a tendência de que o futuro do automóvel em Portugal é elétrico e híbrido, com o gasóleo a tornar-se cada vez mais residual. A descida do preço das baterias, o aumento da autonomia e a expansão das infraestruturas de carregamento estão a acelerar esta transição, que deverá continuar nos próximos meses.