O presidente norte-americano, Donald Trump, acusou esta segunda-feira as petrolíferas dos Estados Unidos de ganharem “dinheiro a mais” e exigiu a descida dos preços, enquanto avisava o Irão que tem uma “última oportunidade” para alcançar um acordo de paz.

“Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado”, disse o presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.

Afirmando ser “um forte defensor da livre iniciativa”, Trump citou a ExxonMobil e a Chevron como algumas das que mais lucraram com as consequências da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o Irão, que fez disparar os preços dos bens petrolíferos.

“Quando se vê que uma empresa multiplicou por doze o que gerou no ano anterior, deve devolver parte desse lucro ao público”, insistiu o líder da Casa Branca, observando que as grandes petrolíferas “têm todos os incentivos para baixar os preços nas bombas de gasolina”.

A ExxonMobil anunciou que o seu lucro líquido duplicou no segundo trimestre de 2026, atingindo os 14,5 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros), enquanto a Chevron registou 12,1 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), cinco vezes mais do que um ano antes.

No entanto, ambas as empresas evitaram associar o aumento de receitas ao conflito.

O diretor-geral da ExxonMobil justificou a subida dos preços dos combustíveis sobretudo com a falta de capacidade de refinação, alertando que os custos vão provavelmente manter-se elevados durante algum tempo.

A subida dos preços da energia tem sido o principal fator da inflação nos Estados Unidos desde o início do ano, e a perda de poder de compra é uma das principais preocupações dos norte-americanos a apenas três meses das eleições intercalares, marcadas para novembro.

O líder norte-americano alertou também o Irão que tem uma “última oportunidade” para assinar um “bom” acordo de paz, apesar de a diplomacia de Teerão negar a existência de negociações em curso com Washington, admitindo apenas contactos com Omã sobre garantias de segurança no estreito de Ormuz.

“Estamos a falar, e estamos a fazê-lo a pedido do Irão, com o apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, bem como de outros países… Todos eles queriam dar a este processo uma última oportunidade. É a última oportunidade. É a última oportunidade do Irão para assinar um bom documento”, disse ainda Trump aos jornalistas na Sala Oval.

Se Teerão não o fizer, “não haverá mais oportunidades”, advertiu.

Anteriormente, o dirigente norte-americano tinha condicionado, através da rede Truth Social, o levantamento do bloqueio naval ao território iraniano a “um acordo” ou a “uma rendição total”.

Donald Trump criticou a atitude “incrivelmente hipócrita” da liderança iraniana pela sua recusa em confirmar que está em conversações de paz com Washington.

“Pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam e outras são agendadas para o futuro próximo. No entanto, declaram aberta e orgulhosamente que não estão a negociar nada, que nada está a ser discutido e que estão apenas a lidar com Omã”, lamentou.

Para o chefe de Estado norte-americano, Teerão está a recorrer “mais uma vez à sua retórica habitual, alegando que controlará firmemente o estreito de Ormuz, quando na realidade já está sob o controlo absoluto da Marinha dos Estados Unidos”, referindo-se ao bloqueio militar imposto pela República Islâmica à navegação comercial desde o início da guerra.

O líder da Casa Branca explicou que a primeira fase das negociações “consiste na abertura do estreito” e que a segunda fase tratará da desnuclearização da República Islâmica, o “que levará algum tempo”.

Em simultâneo, reiterou a “posição firme” de que os iranianos “não podem ter armas nucleares”.

Trump anunciou no domingo que Washington e Teerão retomariam hoje as conversações de paz, após terem ficado paralisadas durante a escalada das hostilidades nas últimas semanas.

Afirmou ainda que o próprio Irão pediu a interrupção do plano de novos ataques, que descreveu como “o maior desde a Segunda Guerra Mundial”.

No entanto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, desmentiu hoje que a República Islâmica esteja em negociações com os Estados Unidos e que as questões relacionadas com Washington serão analisadas e decididas com base nos desenvolvimentos futuros.

Apesar de ambos os lados terem assinado um memorando de entendimento em 17 de junho para cessar os ataques militares e iniciarem um diálogo durante dois meses com vista a um acordo de paz definitivo, as ofensivas cruzadas recomeçaram.

O aumento da tensão levou Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz e Trump a ordenar o restabelecimento do bloqueio naval à costa iraniana.