O Novobanco registou lucros de 367,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, uma quebra de 15,6% face aos 434,9 milhões do período homólogo de 2025. A descida é justificada pela instituição liderada por Mark Bourke com os custos extraordinários associados ao processo de venda ao Groupe BPCE e com uma taxa efetiva de imposto mais elevada.
No segundo trimestre, os lucros fixaram-se em 166,6 milhões de euros, abaixo dos 200,7 milhões do primeiro trimestre, refletindo o impacto dos custos de integração. Apesar da queda, o banco sublinha uma rendibilidade “robusta”, com o RoTE (rendibilidade dos capitais próprios tangíveis) de 17,1%, ainda que abaixo dos 22,2% de junho de 2025.
Margem financeira e comissões
A margem financeira totalizou 563,3 milhões de euros, um aumento de 0,8% face ao período homólogo, suportada pelo crescimento de 8% da carteira de crédito. As comissões mantiveram-se praticamente estáveis, em 178,1 milhões de euros (-0,5%), com a gestão de contas e meios de pagamento a crescer 5,4%.
O produto bancário comercial subiu marginalmente para 741,4 milhões (+0,5%), enquanto o produto bancário total caiu 5% para 758,7 milhões.
Custos e eficiência
Os custos operativos aumentaram 11,8% para 292,0 milhões de euros, impulsionados pelos custos extraordinários da venda ao BPCE. Excluindo esse efeito, o crescimento seria de 7,1%. O rácio Cost-to-Income Comercial subiu de 35,4% para 39,4%; sem os extraordinários, ficaria em 35,5%.
Os custos com pessoal cresceram 10,4% para 163,3 milhões, os gastos gerais administrativos 12,2% para 101,0 milhões e as amortizações 19,2% para 27,7 milhões. No final de junho, o banco contava com 4.158 colaboradores e 302 balcões.
Risco e ativos
O custo do risco fixou-se em -11 pontos base, com imparidades e provisões líquidas negativas de 14,1 milhões (em reversão). O rácio de NPL bruto recuou para 2,8% e o líquido manteve-se em 0,3%, com cobertura de 90,2%.
O crédito bruto subiu 8,3% para 32.687 milhões de euros, com destaque para o crédito a particulares (14.063 milhões) e a empresas (15.192 milhões). Os depósitos de clientes cresceram 7,7% em termos homólogos para 33,4 mil milhões de euros.
Capital e liquidez
O rácio CET1 subiu de 17,4% em dezembro para 19,2% em junho, impulsionado pela decisão de não distribuir dividendos. O rácio de Capital Total aumentou para 22,1%. O LCR situou-se em 146% e o NSFR em 117%, ambos acima dos requisitos regulamentares.