A norte-americana General Motors (GM) e a fabricante estatal chinesa SAIC renovaram esta quarta-feira por mais 20 anos a empresa conjunta que mantêm na China, reforçando a aposta no maior mercado automóvel do mundo apesar da crescente concorrência local.

Numa cerimónia realizada em Xangai, as duas empresas apresentaram a renovação do acordo como um sinal de confiança nas perspetivas de longo prazo do mercado chinês e na capacidade da empresa conjunta para se adaptar à rápida transformação do setor automóvel, marcada pela ascensão dos veículos elétricos.

A SAIC-GM foi criada em 1997 como uma joint venture detida em partes iguais para fabricar e comercializar na China automóveis das marcas Buick, Cadillac e Chevrolet.

Ao abrigo do novo acordo, os modelos Chevrolet produzidos na China serão também exportados para mercados como o Médio Oriente, África, América do Sul, México e região Ásia-Pacífico, afirmou o presidente da divisão chinesa da GM, John Roth.

O plano prevê ainda o lançamento de cerca de 30 novos modelos elétricos para renovar a oferta das marcas Buick e Cadillac, bem como o desenvolvimento de tecnologias inteligentes.

Entre 2010 e 2023, a China foi o maior mercado da GM, mas a rápida ascensão dos fabricantes chineses de veículos elétricos levou a empresa a passar de lucros anuais de cerca de 2.000 milhões de dólares entre 2014 e 2018 para dois anos consecutivos de prejuízos, em 2024 e 2025.

A quota de mercado da GM na China caiu de 14,9% em 2015 para 6,8% no final do primeiro semestre deste ano. Em 2025, a empresa vendeu cerca de 1,9 milhões de veículos no país, menos 50,9% do que no pico registado em 2016.

Na sequência da reestruturação anunciada em 2024, a GM estimou um impacto financeiro superior a cinco mil milhões de dólares, antecipando o encerramento de algumas fábricas.

A GM junta-se assim a outros fabricantes estrangeiros, como a Volkswagen e a Honda, que renovaram recentemente as parcerias com grupos chineses, apesar da desaceleração económica e da crescente concorrência das marcas locais.

A renovação do acordo surge também num contexto de tensões geopolíticas entre a China e os Estados Unidos, que praticamente bloquearam a entrada de veículos elétricos chineses no mercado norte-americano através da imposição de tarifas elevadas.