O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, revelou hoje que a comunicação com o líder supremo Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde a sua nomeação em março, é “muito difícil de momento”.
“A comunicação com ele é muito difícil de momento, mas a sua presença é, sem dúvida, um grande trunfo para nós, permitindo-nos prosseguir”, frisou Pezeshkian num discurso televisivo, referindo-se ao filho e sucessor de Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra iniciada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Ferido durante os ataques, que também mataram vários oficiais iranianos, Mojtaba Khamenei tem comunicado desde a sua nomeação apenas através de declarações que lhe são atribuídas. A sua discrição, apesar dos conflitos com os Estados Unidos, tem alimentado especulações sobre as suas relações com outros altos funcionários iranianos.
A ausência no funeral do pai, em julho, também levantou questões sobre a sua saúde e até sobre um possível assassinato. Massoud Pezeshkian, no entanto, defendeu prontamente o Ayatollah, afirmando que o recebeu com “amabilidade e muita racionalidade” durante os seus encontros. “Infelizmente, a situação atual permite que indivíduos mal-intencionados o retratem de forma diferente e apresentem uma imagem distorcida do mesmo”, criticou.
Também hoje, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, adiantou que recebeu mensagens dos Estados Unidos a manifestar disponibilidade para retomar os compromissos assumidos no memorando de entendimento assinado em junho, mas indicou que ainda não decidiu se vai aceitar reiniciar as negociações. Gharibabadi falava em entrevista à agência de notícias estatal IRNA, em resposta às recentes declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre um possível retomar das negociações entre os dois países.
O governante apontou que continua a analisar as mensagens enviadas pela Casa Branca para determinar se existem garantias suficientes de que os Estados Unidos honrarão os seus compromissos e evitarão um novo colapso no processo. O diplomata insistiu que o cumprimento das obrigações dos Estados Unidos é uma condição necessária, mas não suficiente, para a reabertura do estreito de Ormuz, e voltou a negar que Washington esteja a participar nas negociações que o Irão mantém com Omã sobre a gestão desta passagem marítima estratégica.
O Irão anunciou hoje que chegou a acordo com Omã sobre uma nova rota marítima no estreito de Ormuz, mas avisou, no entanto, que a conclusão do entendimento não significa a reabertura imediata da estratégica via. Gharibabadi explicou que esta nova rota passará parcialmente por águas territoriais do Irão e de Omã e permitirá o trânsito de embarcações comerciais sob um novo regime de gestão, substituindo as rotas provisórias estabelecidas até agora pelos dois países.
O potencial acordo surge depois de Trump ter afirmado ter suspendido um ataque ao Irão no fim de semana para dar tempo às negociações que, segundo o republicano, começariam na segunda-feira, alegação negada por Teerão. O Irão e os Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, com a mediação do Paquistão e do Qatar, para pôr fim à guerra, mas as hostilidades foram retomadas no início de julho, levando Teerão a encerrar o estratégico estreito de Ormuz e Washington a restabelecer o bloqueio naval na costa iraniana.