Os riscos de branqueamento de capitais continuam a pesar sobre o perfil de crédito dos bancos europeus, à medida que falhas de controlo, novas ameaças tecnológicas e o reforço da supervisão elevam a pressão regulatória sobre o setor, afirmou a Morningstar DBRS num relatório divulgado nesta terça-feira.
A agência de rating disse que deficiências em combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo podem afetar a rentabilidade, aumentar custos de remediação, prejudicar a reputação e limitar o acesso a mercados, fatores que já contribuíram para ações de rating negativas em alguns casos, incluindo o Danske Bank e, fora da Europa, o Toronto-Dominion Bank.
Segundo a DBRS, as fragilidades mais recorrentes nas instituições europeias incluem falhas na avaliação de risco, na diligência sobre clientes, no monitoramento de transações, na governação e na dotação de recursos para compliance.
O relatório destaca também que digitalização, pagamentos instantâneos, fraudes potenciadas por inteligência artificial, criptoativos e evasão de sanções estão a tornar os controlos mais exigentes, enquanto a nova Autoridade Europeia de Combate ao Branqueamento de Capitais, a AMLA, deverá reforçar a consistência da supervisão e reduzir o arbítrio regulatório entre jurisdições.
A DBRS apontou que, desde 2012, vários casos de alto perfil na Europa expuseram fragilidades persistentes no setor, com sanções relevantes impostas a bancos como HSBC, BNP Paribas, ING, Rabobank, Standard Chartered e Deutsche Bank.
Entre as atividades mais vulneráveis, o relatório cita as áreas de correspondent banking, private banking, pagamentos e remessas, trade finance, corporate banking e bancos digitais e ligados a criptoativos.
A agência concluiu que os riscos de branqueamento de capitais e de crime financeiro continuarão a ser um fator importante na avaliação de crédito dos bancos europeus, sobretudo para instituições com operações transfronteiriças complexas ou controlos internos ainda insuficientes.