A Uber comprometeu-se a investir mais de 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,6 mil milhões de euros) na expansão da sua rede de robotáxis. A empresa defende que a sua solidez financeira e uma base de mais de 200 milhões de clientes lhe conferem uma vantagem competitiva na crescente corrida para comercializar veículos autónomos. O anúncio foi feito pelo CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, em entrevista ao Financial Times, onde sublinhou a ambição de se tornar a principal plataforma mundial de mobilidade autónoma.

Khosrowshahi afirmou que a Uber será uma ‘vencedora de longo prazo’ no setor dos veículos autónomos (AV), com planos para colocar em circulação 120 mil veículos sem condutor. O investimento será realizado ao longo dos próximos anos, com o objetivo de lançar serviços de robotáxis em pelo menos 15 cidades ainda este ano. Este movimento coloca a empresa em competição direta com gigantes como a Waymo (da Alphabet) e a Tesla, de Elon Musk.

Numa nota adicional, a Uber anunciou que a sua parceira britânica Wayve recebeu autorização da Transport for London (TfL) para lançar um serviço comercial de robotáxis com um condutor de supervisão. Alex Kendall, CEO da Wayve, destacou que esta é a primeira licença no Reino Unido para operação comercial de veículos autónomos, permitindo que as empresas ofereçam viagens aos londrinos dentro de algumas semanas.

As ações da Uber têm estado sob pressão devido a receios de que o negócio tradicional de transporte por aplicação seja afetado pelos robotáxis. Em 2026, o título acumula uma queda de 13%. No entanto, a empresa tem-se reposicionado como intermediário para startups de veículos autónomos, após ter encerrado o seu projeto interno em 2020.

Nos resultados financeiros do trimestre terminado em 30 de junho, a Uber reportou reservas brutas de 58 mil milhões de dólares (cerca de 50 mil milhões de euros), um aumento de 24% face ao ano anterior, superando as expectativas dos analistas. A aposta nos robotáxis é vista como uma forma de aumentar as margens de lucro, já que os pagamentos aos motoristas representam uma grande parte das receitas atuais. Os analistas estimam que o mercado global de robotáxis possa ultrapassar os 2 biliões de dólares até 2035, sublinhando o potencial deste segmento de elevado crescimento.