O preço do petróleo Brent estabilizou esta terça-feira, após uma sessão volátil, com os investidores a digerirem as declarações do Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o estreito de Ormuz. A passagem estratégica, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanece bloqueada, alimentando preocupações sobre a oferta.

Cerca das 13:30 em Lisboa, o barril de Brent, referência europeia, descia ligeiramente 0,15% para 87,59 dólares, depois de ter ultrapassado a barreira dos 90 dólares durante a sessão. O West Texas Intermediate (WTI), equivalente norte-americano, moderava o avanço para 0,26%, fixando-se nos 82,34 dólares.

Na segunda-feira, os preços abriram em forte alta, impulsionados pelas condições impostas por Teerão para reabrir o estreito. O Irão exige compensações pelos danos sofridos durante os cinco meses de conflito militar, um pedido que Donald Trump considera inaceitável. O Presidente norte-americano respondeu, exigindo também compensações pelo USS Cole, navio de guerra atacado em 2000 no Iémen.

Esta troca de farpas aumentou o cepticismo no mercado quanto a uma reabertura iminente. Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management, citado pela AFP, sublinha que “esta mensagem reforça a ideia, no mercado, de que há poucas hipóteses de uma reabertura iminente do estreito de Ormuz”. Para o petróleo, isto implica preços mais altos, especialmente porque “esta reviravolta ocorre enquanto os Huthis tentam bloquear o tráfego marítimo no Mar Vermelho, e os stocks mundiais de petróleo continuam a diminuir”.

Analistas do ING, também citados pela AFP, destacam um padrão recorrente: “um entusiasmo inicial quando as negociações parecem promissoras, e depois esse otimismo dissipa-se tão rapidamente” quando não há progressos. John Evans, da PVM, explica que os investidores reagem tanto às declarações políticas porque esperam “um aumento da oferta de petróleo se o estreito de Ormuz reabrisse”, o que poderia fazer os preços descerem.