Os preços em Moçambique registaram uma deflação em julho, recuando 0,26% face a junho, interrompendo a tendência de subida, levando a inflação homóloga a abrandar para 7,48%, divulgou esta terça-feira, 11 de agosto, o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) de julho do INE, Moçambique “registou uma queda de preços na ordem de 0,26%” face ao mês anterior, sendo a divisão de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas a que mais contribuiu para este resultado, com cerca de 0,42 pontos percentuais negativos.

Entre os produtos que mais contribuíram para a descida dos preços destacam-se o tomate, com uma redução de 18,7%, a couve (7,2%), a cebola (8,6%), a alface (9,3%), o repolho (9,0%), o coco (2,4%) e a galinha viva (0,8%). Em conjunto, estes produtos contribuíram com cerca de 0,57 pontos percentuais negativos para a variação mensal.

Em sentido contrário, registaram-se aumentos nos preços do peixe seco (3,3%), carapau (1,2%), refeições completas em restaurantes (0,4%), milho em grão (5,3%), frango em pedaços (2,7%), peixe fresco (0,8%) e cimento (0,5%), contribuindo com aproximadamente 0,19 pontos percentuais positivos para a inflação mensal.

Após uma crise no fornecimento de combustíveis em abril, devido ao conflito no Médio Oriente, o preço do litro de gasóleo em Moçambique subiu 45,5% em 07 de maio e o da gasolina 12,1%, fazendo disparar igualmente a inflação até junho.

O IPC de julho refere que a inflação acumulada desde janeiro de 2026 está fixada em 5,12%, abaixo dos 5,4% registados até junho, enquanto a variação homóloga, face ao mesmo mês de 2025, desacelerou ligeiramente de 7,51% para 7,48%, devido à deflação no mês passado.

Segundo o INE, as divisões dos Transportes e da Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas continuam a liderar a pressão inflacionista, representando os maiores contributos tanto para a inflação acumulada como para a homóloga. Na comparação com julho de 2025, estas divisões registaram aumentos de preços de 14,87% e 12,62%, respetivamente.

Os preços em Moçambique aumentaram 3,23% em todo o ano de 2025, segundo dados anteriores do INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo.

Moçambique chegou a registar oito recuos mensais (deflação) no índice dos preços ao consumidor, em menos de um ano e meio, quatro dos quais entre abril e julho do ano passado, retomando as subidas a partir de agosto de 2025.

A inflação acumulada de 2024, segundo dados anteriores do INE, fixou-se nos 4,15%, que compara com os 5,3% de 2023, mas abaixo do pico de quase 13% atingido em julho de 2022.

O Governo previa para 2025 uma inflação em torno de 7% em Moçambique, tal como a estimativa para 2026.

O Banco de Moçambique manteve em 29 de julho a taxa de juro de referência em 9,25%, admitindo a redução de liquidez em moeda nacional e o crescimento da inflação no curto prazo, descendo para um dígito a médio prazo.

“Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação”, anunciou o governador, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que assim decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, e igualmente no final de maio.