A Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia do Xá Reza Pahlavi e estabeleceu a República Islâmica, é frequentemente analisada sob a lente de “A Arte da Guerra”. Segundo especialistas, o movimento, liderado pelo Ayatollah Khomeini, empregou estratégias de mobilização popular e desgaste do regime que ecoam os princípios do tratado militar chinês. No entanto, o resultado final é amplamente considerado como a criação de um sistema político altamente regressivo em termos de liberdades civis, direitos humanos e integração global.

O novo regime teocrático implementou uma interpretação rigorosa da lei islâmica (Sharia), revertendo muitas das reformas secularizantes e modernizadoras do período Pahlavi. As liberdades de expressão, associação e imprensa foram severamente restringidas, e os direitos das mulheres sofreram um retrocesso significativo. A política externa do Irão tornou-se confrontacional, marcada pelo isolamento internacional e por tensões contínuas com potências ocidentais e regionais.

Analistas argumentam que, enquanto a revolução foi um mestre tático na arte de conquistar o poder, falhou na arte de governar e promover o progresso societal. O país, apesar dos seus vastos recursos naturais e capital humano, enfrenta décadas de estagnação económica, sanções internacionais e repressão interna. O legado de 1979 permanece, assim, como um paradoxo: uma vitória estratégica que deu origem a um Estado considerado por muitos como regressivo face às aspirações modernas da sua população.