
Os viajantes mais indefetíveis – mesmo que o título seja algo pomposo para quem se faz à estrada uns meros 15 dias – conhecem, certamente, os icónicos guias da editora Lonely Planet. E até mais mais distraídos já ouviram falar neles… muito provavelmente. Desde a década de 1970 que andam por cá e há muito que conquistaram o estatuto de ‘guru’ para quem queria desbravar o mundo com base em indicações de quem esteve no terreno, experimentou, fez a prova dos nove e opinou. Foi essa a génese da Lonely Planet quando, em 1973, Tony e Maureen Wheeler publicaram um guia despretensioso sobre como viajar pela Ásia.
A proposta era radical para a época: dicas práticas e irreverentes para quem se movia mais pela curiosidade do que pelo dinheiro que tinha no bolso. Esta escriba tropeçou neles nos anos 1990 e rapidamente os adotou como compagnons de route pelo Sudeste Asiático, primeiro, e pelo resto do mundo, depois. Mas, volvidos 53 anos de edições físicas, a incursão no mundo digital já tardava. Até porque a Lonely Planet ganhou um novo elã no pós-pandemia. Com a retoma das viagens, os livros ganharam novo fôlego, à boleia de um público mais jovem que a marca vinha conquistando para esta “comunidade” via Instagram e loja online. E o mantra da Lonely Planet para a sua vida digital é o mesmo de sempre, “curadoria”. Ou seja, a nova app vai ter informação criteriosamente curada pelos mesmos especialistas locais e editores responsáveis pelos guias impressos. São 450 espalhados pelo mundo. Que vão fazer com que, aos 53 anos de vida, a Lonely Planet deixe de ser somente uma editora para se transformar numa plataforma de viagens.
A app é ambiciosa e tem muitos recursos gratuitos, mas tudo o que é conteúdo premium será pago. Exemplo. Caiu uma chuvada repentina e quer ir até um local seco e inspirador? A app identifica a zona onde está e sugere o que fazer nas imediações. Mas isto não surgiu do nada. A marca reposicionou-se, redesenhou o site, lançou o ‘Lonely Planet Journeys’ – um serviço de concierge de viagens com curadoria – e ampliou o catálogo de livros inspiracionais, além dos guias tradicionais. Como funciona a nova app? Simples. Tudo gira em torno de quatro secções.
A Discover é o driver para a inspiração, i.e., um feed com artigos, vídeos verticais e informações selecionadas. Escolhido o destino, entra em cena o Guides: versões digitais dos guias com incursões detalhadas em cidades específicas. O My Planet é onde se grava toda a informação reunida nas duas primeiras secções, para depois transformar tudo num itinerário real na Trip Builder. Na prática, é um mapa atualizado com toda a informação para onde pode arrastar e gravar ideias soltas, organizar a viagem por dia e recordar o restaurante que escolheu umas semanas antes.
Pormenor importante: a app adapta-se. Ou seja, no destino, também vai destacar as recomendações dos seus especialistas locais para não ter de começar do zero. Ao que parece, para a Lonely Planet o mais importante na era digital não é oferecer mais eficiência, mas sim contextualizar a viagem usando o know-how local.