Nos últimos 50 anos, a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou exponencialmente. E é a essa transformação – a taxa de atividade aumentou para mais do dobro entre 1970 e os últimos anos, segundo o Banco de Portugal –, que o progresso no estatuto social das mulheres muito deve.

Mas há barreiras e desafios que, não anulando de maneira alguma os avanços socioeconómicos alcançados nas últimas décadas do século XX, persistem em 2026 e deixam claro que a maior parcela da população portuguesa está mais exposta a desigualdades salariais, precariedade e outras fragilidades laborais.

Este artigo, originalmente publicado no Jornal Económico de 20 de fevereiro, analisa a evolução da presença feminina no mercado de trabalho português, destacando tanto os progressos históricos como os obstáculos contemporâneos que continuam a marcar a experiência laboral das mulheres.

Apesar do aumento significativo da taxa de atividade, dados recentes indicam que as disparidades salariais entre géneros permanecem uma realidade, com as mulheres a enfrentarem, em média, remunerações inferiores às dos homens para funções equivalentes. Além disso, a precariedade laboral afeta de forma desproporcional a população feminina, com uma maior incidência de contratos a termo e trabalho a tempo parcial involuntário.

Outros desafios identificados incluem a sub-representação das mulheres em cargos de liderança e direção, a persistência de estereótipos de género que influenciam as escolhas profissionais e educacionais, e a dificuldade em conciliar a vida profissional com as responsabilidades familiares, que ainda recaem maioritariamente sobre as mulheres.

Especialistas apontam que a resolução destas questões requer não apenas políticas públicas direcionadas, como licenças parentais equitativas e apoio à infância, mas também uma transformação cultural nas empresas e na sociedade. A promoção da igualdade de oportunidades e a valorização do talento feminino são vistas como essenciais para um mercado de trabalho mais justo e produtivo.

O caminho percorrido desde 1970 é inegável, mas o panorama de 2026 mostra que a plena igualdade no mercado laboral português ainda é uma meta por alcançar, exigindo esforços contínuos de todos os setores da sociedade.