O setor automóvel em Portugal criticou hoje a falta de pontos de carregamentos em carros elétricos no país considerando que fica aquém de outros países europeus.
“Estamos muito longe do que é normal para assegurar o contínuo crescimento” da mobilidade elétrica, disse esta terça-feira Sérgio Ribeiro, presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
“Estamos muitíssimo longe de infraestruturas em termos de postos de carregamento”, acrescentou.
Usando uma comparação entre os pontos de carregamento por mil habitantes, Portugal conta com 1,1 pontos, ficando na 15ª posição entre os países europeus. A média europeia é de 2 pontos por mil habitantes, com o ranking a ser liderado por Países Baixos (10 pontos), seguidos da Islândia, Bélgica e Dinamarca (com 6 cada um).
“Não há uma política clara do Governo português nos postos de carregamento”, criticou o gestor.
Sérgio Ribeiro defendeu que a indústria automóvel tem “feito o seu trabalho” só que está “atada e limitada nos objetivos que os próprios responsáveis políticos colocam sem aderência à realidade”, criticando a “ausência de foco para o que é relevante”.
Na conferência de imprensa realizada esta terça-feira, a ACAP destacou também que o envelhecimento do parque automóvel é uma realidade do país, com 1,6 milhões de carros a terem mais de 20 anos de idade. A idade média dos ligeiros de passageiros atinge 14 anos, mas sobe para 16 anos nos ligeiros de mercadorias.
Neste sentido, defende um plano de incentivo ao abate de automóveis que permita retirar das estradas 40 mil veículos já este ano.
A ideia seria passar um cheque de 4 mil euros por veículo, majorado para 5 mil euros no caso de o carro a comprar ser um 100% elétrico.
Nas suas contas, este programa permitir poupar 3,2 milhões de litros de combustível, ou mais de 33 mil barris de petróleo, e emitir menos 10,8 mil toneladas de gases poluentes por ano.
O programa chegaria numa altura em que o número de carros usados importados atingiu um recorde em Portugal no ano de 2025: 120 mil unidades, mais 14% face ao ano anterior. E pesam mais de metade do mercado de viaturas novas do país.
“Estas importações de viaturas para o mercado português não contribuem minimamente para os esforços de descarbonização”, disse esta terça-feira o presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
“São claramente viaturas importadas com antiguidade elevada, o que contrasta com objetivos declarados de descarbonização e eletrificação do parque automóvel”, segundo Sérgio Ribeiro.
A idade média dos veículos importado atinge os oito anos de vida.
A maioria dos usados importados tem uma idade média entre 5 a 10 anos (36%), com 28% a terem mais de 10 anos de idade.
No encontro para fazer o balanço de 2025, o setor automóvel nacional queixou-se da burocracia a que estão obrigadas as empresas da fileira para receberem os apoios anunciados pelo Governo.
“Há uma grande dificuldade das empresas face às burocracias, não conseguem cumprir tudo o que é exigido para poderem ter acesso e minimizar os impactos”, disse o secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal.
Hélder Barato Pedro revelou que a ACAP tem estado a prestar apoio neste frente, via o seu departamento jurídico para clarificar a legislação aprovada.
“Houve empresas nossas associadas com danos significativos”, segundo o responsável.
A ACAP apontou que há “fornecedores da Autoeuropa” e de outras fábricas nacionais na zona de Leiria que é conhecida por ter um “cluster significativo na parte dos componentes”.
O responsável espera que seja feita uma avaliação “muito rapidamente” dos danos causados pelos temporais no setor na região.