Esta semana o principal índice europeu, o STOXX 600, atingiu novos máximos históricos. O melhor desempenho relativo da Europa face aos EUA é explicado pelas valorizações mais baixas após vários anos de fraco desempenho. Além disso, a composição setorial europeia tem um maior peso de bancos, indústria, energia e empresas ligadas à economia real, setores que beneficiam de taxas de juro ainda relativamente elevadas, recuperação da atividade económica e melhoria das margens.

Nos EUA, pelo contrário, o desempenho tem estado muito concentrado nas grandes tecnológicas, tornando o mercado mais dependente de um número reduzido de empresas e mais sensível a qualquer desilusão nesse grupo de empresas. Assim, à medida que os investidores procuram diversificação e avaliações mais atrativas, parte do fluxo sai das mega-caps americanas — já consideradas caras — para empresas europeias vistas como subavaliadas. Ainda esta semana a Nvidia publicou resultados muito acima das expectativas, mas o mercado reagiu negativamente às expectativas futuras e à avaliação já muito elevada da ação, ou seja, as cotações refletem sobretudo expectativas futuras e não apenas os resultados já conhecidos.

A sucessiva subida do CAC 40 tem sido sustentada, em grande medida, pela solidez dos resultados das grandes empresas francesas, com grupos industriais, tecnológicos e de consumo a apresentarem lucros robustos. O índice acionista francês beneficia do relevante peso do setor do luxo, onde empresas como LVMH, L’Oréal e Hermès, fortemente expostas aos mercados internacionais — sobretudo EUA e Ásia — aproveitam a resiliência do consumo premium global. O CAC 40 é, na prática, um índice de multinacionais globais, já que mais de dois terços da atividade das empresas que o compõem é gerada fora de França. Assim, o seu desempenho depende mais da evolução da economia mundial do que da conjuntura económica interna francesa. Todavia, apesar da recente estabilidade política e da aprovação do orçamento tenham reduzido a incerteza no curto prazo, subsistem dúvidas quanto à evolução política em França no médio e longo prazo.

À semelhança do CAC 40, também o FTSE 100 de Londres tem atingido máximos históricos, sobretudo devido à sua forte exposição a empresas globais dos setores da energia, matérias-primas, banca e setor farmacêutico, que beneficiam do atual contexto económico e de dividendos elevados. Tal como no caso francês, uma parte significativa das receitas das empresas cotadas em Londres é gerada fora do Reino Unido. Ou seja, o desempenho do índice depende mais da economia mundial do que da britânica, sendo ainda favorecido por uma libra relativamente mais fraca. Depois de vários anos de fraco desempenho devido ao Brexit e à instabilidade política, o mercado londrino tem também atraído investidores à procura de avaliações mais atrativas, sustentando a recente subida.

Estes dois mercados são, aliás, os que têm maior peso no STOXX 600 — cerca de 22% para o FTSE 100 e 17% para o CAC 40. Também o índice suíço acompanha esta tendência, negociando em máximos históricos, enquanto o DAX alemão permanece próximo desses níveis, mas condicionado pela forte exposição ao setor industrial e exportador, afetado pela concorrência chinesa, pela menor procura daquele país e pelos custos energéticos mais elevados, que evidenciam fragilidades da economia alemã.

Já o IBEX 35 espanhol continua igualmente em máximos sucessivos, acumulando uma valorização de 150% desde outubro de 2022, suportado sobretudo pelo setor bancário e pela melhoria económica em Espanha. Também a economia portuguesa tem evidenciado um crescimento bem acima da média europeia, refletindo-se no PSI, que mais do que duplicou de valor desde 2020, acompanhando a dinâmica positiva das economias ibéricas, suportadas pelo turismo, pelo investimento estrangeiro e pelo aumento da população empregada.