Viktor Orbán perdeu as eleições e deixará o poder após 16 anos governando o país. Entre as questões mais controversas na Hungria, que prometiam uma batalha sem precedentes que agora se dissipou, estava a tensa relação energética com a Rússia.
Desde janeiro, a Europa proibiu a compra de gás natural liquefeito (GNL) até 2027 e de gás natural por gasoduto até o final deste ano. Essa decisão bloquearia novos contratos, mas deixa um período de transição para os já existentes.
Apenas dois países votaram contra: Eslováquia e Hungria. Budapeste não diminuiu os esforços para revogar essa regulamentação e, inclusive, levou a legislação à justiça (ao Tribunal de Justiça da União Europeia), tendo fortes argumentos para vencer.
Peter Magyar, o vencedor das eleições, provavelmente adotará uma abordagem de não cortar o fornecimento de gás russo de um ano para o outro, mas está claramente alinhado com a ideia de reduzir gradualmente a dependência do Kremlin.
“Não queremos ficar sem energia russa amanhã, mas sim até 2035”, explicou o candidato em entrevista à emissora húngara RFE. “Vamos procurar as fontes mais baratas e seguras (incluindo a Rússia)”, mas o objetivo é parar de comprá-la a médio e longo prazo.
Além disso, Peter Magyar afirmou que vai restabelecer todas as relações com a Europa e, embora não tenha dito explicitamente que retirará o processo contra Bruxelas referente aos contratos, deixou claro que “precisamos acabar com nossa dependência da Rússia”.
A S&P Global deixa claro que a vitória de Magyar, independentemente do momento, marca o início de uma completa separação energética entre a Rússia e a Europa.
Vale ressaltar que apenas três países continuam a importar gás russo pelo único gasoduto em operação (Turkstream): Hungria, Eslováquia e, em menor escala, Áustria. Os demais países compram GNL, mas essas compras estão a diminuir e as novas regulamentações serão mais rigorosas.