O Alentejo é a região de Portugal onde o problema da educação financeira mais se faz sentir. Segundo o European Consumer Payment Report ECPR 2025, apenas metade (51%) recebeu dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e menos de um terço (29%) referiu sentir abertura para discutir finanças (média europeia de 46% e 35%, respetivamente).
A análise regional da Intrum revela que no Alentejo, apenas 26% dos inquiridos dizem ter aprendido com os pais a gerir dinheiro, e mais de metade (51%) cresceram num ambiente de stress financeiro.
Em regiões como a Madeira, Açores e o Algarve, a percentagem de quem recebeu formação na escola não ultrapassa os 11% e 13%, respetivamente. A Área Metropolitana de Lisboa, embora com indicadores mais equilibrados, mostra também sinais de carência: só 11% tiveram educação formal em finanças e 22% cresceram com tensão familiar associada ao dinheiro.
Apesar do cenário global ser preocupante, algumas regiões apresentam indicadores mais positivos.
No Norte e no Centro do país, a maioria dos consumidores afirma ter recebido alguma orientação familiar sobre gestão do dinheiro, 55% e 59%, respetivamente, acima da média nacional (51%). Estas duas regiões são também aquelas onde os níveis de stress financeiro na infância são mais baixos (23% no Norte e 22% no Centro), e onde a discussão sobre dinheiro em contexto familiar era mais comum.
Ainda assim, mesmo nas regiões Norte e Centro, apenas 9% dos consumidores referem ter tido educação financeira na escola, o que mostra que a omissão do sistema de ensino é transversal e não compensada pelo contexto familiar, mesmo nos casos em que este é mais favorável.