O conflito com o Irão e o consequente fecho do Estreito de Ormuz pode provocar consequências de “grande alcance” para a indústria de fertilizantes, de acordo com análise da Morningstar DBRS, revelada esta quarta-feira.
Para estes especialistas, os acontecimentos desencadeados no passado sábado já estão a ter um “efeito dominó” nas cadeias de abastecimento globais” e caso a situação persista, a indústria de fertilizantes “poderá ser significativamente afetada” devido à perturbação regional na produção e ao envio de amoníaco e azoto, elementos-chave em muitos produtos fertilizantes.
Destaca este relatório que cerca de 25% a 35% do comércio global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz e que o seu encerramento “irá perturbar a cadeia global de abastecimento e poderá aumentar os custos de produção de fertilizantes”.
Para a DBRS, os produtores da América do Norte e da Rússia poderão beneficiar do aumento do fornecimento global de azoto, mas o aumento dos preços do crude e, consequentemente, dos custos de frete provavelmente compensariam parcialmente estes ventos favoráveis.
Quanto ao efeito dominó deste conflito, este pode ser “significativo”, com os consumidores a “poderem pagar o preço, já que uma aplicação menor de azoto geralmente traduz-se em rendimentos agrícolas mais baixos e, em última análise, em preços dos alimentos mais elevados”.
“Na nossa opinião, os principais produtores de fertilizantes dos EUA poderão ver melhorias nas receitas devido ao aumento dos preços e da quota de mercado devido à reorganização da cadeia de abastecimento, caso a situação persista”, disse Andrea Petroczi-Urban, Vice-Presidente Adjunta de Classificações Corporativas Europeias.
“Por outro lado, esperamos que as empresas produtoras de fertilizantes dependentes de matérias-primas de gás natural do Médio Oriente enfrentem alguns desafios na produção e transporte, o que poderá resultar numa menor rentabilidade. À medida que a situação continua em constante mudança, continuaremos a monitorizar qualquer impacto potencial nos perfis de crédito dos nossos emissores classificados”, destacou esta analista.