Fazer ou não fazer um MBA (Masters in Business Administration), é a questão para muitos profissionais que ambicionam algo mais, mas que não sabem se este tipo de qualificação faz sentido numa era de mudança significativa no mercado laboral.
Apesar das empresas valorizarem cada vez mais as chamadas soft skills e as competências práticas serem mais valorizadas num trabalhador, a Randstad refere que fazer um MBA ainda compensa. “Investir num MBA continua a ser uma aposta estratégica para muitos profissionais em Portugal”, afirma Isabel Bragança Guerra, senior consultant, Finance, HR, Tax & Legal, na Randstad, “os dados mostram que o MBA mantém relevância, sobretudo em funções de gestão e liderança”.
“Num contexto em que a escassez de talento é estrutural e as empresas competem globalmente por perfis qualificados, o verdadeiro diferencial está na combinação entre conhecimento técnico, pensamento crítico e capacidade de gerar impacto no negócio. Ou seja, o MBA pode reforçar o perfil, mas é a sua aplicação prática e o contexto profissional que determinam o seu real valor”, afirma Sandrine Veríssimo, business diretor da Hays.
Contudo, Sandrine Veríssimo refere que “um MBA é relevante, mas não substitui a experiência prática no terreno, as competências digitais e analíticas e a capacidade de trabalhar em ambientes multiculturais. O mercado está cada vez mais orientado para ‘saber fazer’ e não apenas ‘saber’”.
Em Portugal é comum as empresas pedirem este tipo de formação para “cargos de C-level, como CEO, CFO, COO ou diretores de área, refletindo o peso do MBA na preparação de profissionais para funções estratégicas e de decisão”, aponta Isabel Bragança Guerra.
Segundo Luís Marques, diretor do MBA executivo da Católica Porto Business School, tem existido uma “evolução positiva da procura” por MBA, “particularmente após o período da pandemia, acompanhada por uma maior diversidade de perfis e setores representados”.
Os efeitos desta formação são notados na “progressão de carreira, do acesso a funções de maior responsabilidade e na evolução salarial, sendo que em muitos casos, esse impacto começa ainda durante o programa”, refere Luís Marques.
A evolução salarial é uma das ‘vantagens’ desta formação, “estudos recentes indicam que profissionais com MBA podem ter um aumento salarial médio de cerca de 60% ao longo da carreira, em comparação com quem tem apenas uma licenciatura. Em termos práticos, isso traduz-se em salários significativamente mais altos em funções de consultoria, gestão, finanças ou cargos estratégicos”, afirma Isabel Bragança Guerra.
Para Luís Marques os três principais fatores que levam um profissional a candidatar-se a esta formação é a progressão de carreia progressão de carreira, o desenvolvimento de competências de liderança e o aumento da capacidade de gerar impacto nas organizações.
“A estes fatores juntam-se o acesso a uma rede de contactos relevante, a exposição a diferentes realidades empresariais e, cada vez mais, a vontade de reconfigurar percursos profissionais num contexto marcado pela incerteza e pela transformação acelerada dos negócios”, refere.
Procurado, maioritariamente, por profissionais com alguns anos de experiência que pretendem “preparar a passagem para funções de liderança, atualizar competências, ganhar novas ferramentas de decisão e ampliar a sua visão estratégica”, segundo Luís Marques, o MBA não “não é mais um passaporte automático para o sucesso, mas permanece uma ferramenta poderosa para aqueles que procuram acelerar a carreira, assumir funções de liderança e expandir horizontes profissionais”, salienta Isabel Bragança Guerreiro.