A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe Elsa Pinto anunciou hoje a sua pré-candidatura às eleições para a Presidência da República do arquipélago, considerando que o MLSTP não pode ficar sem representação.
“A minha candidatura centra-se na questão: desde quando o MLSTP [Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe] se demite da sua responsabilidade e do seu dever, do seu destino de liderar? Vêm aí as eleições presidenciais de 19 de julho e importa que o MLSTP participe neste pleito eleitoral”, afirmou durante uma conferência de imprensa, hoje, em São Tomé.
Na apresentação da pré-candidatura, Elsa Pinto explicou que está disponível “para melhorar as condições de vida das pessoas” e defende que o partido deve reunir os órgãos de direção e definir quem vai apoiar.
“Cabe à comissão política encontrar o mecanismo para reunir os candidatos presidenciais e a partir daí propor ao conselho nacional uma moldura para resolvermos a questão da representatividade do nosso partido nas eleições presidenciais”, salientou, garantindo: “Sou pré-candidata e obedecerei à vontade do meu partido”.
Na apresentação da pré-candidatura às presidenciais de julho, Elsa Pinto afirmou ter “uma vontade profunda de contribuir” e lembrou que já teve as pastas da administração pública, assuntos parlamentares, defesa, justiça e negócios estrangeiros.
Para Elsa Pinto, a possibilidade de uma mulher ocupar o mais alto cargo da nação poderia “mudar tudo”, enviando uma mensagem para lá do arquipélago.
“Esta nação vai marcar a diferença, a prioridade tem de ser dada às mulheres, há uma resolução das Nações Unidas, e a União Africana também tem uma resolução que incentiva lideranças femininas, a Namíbia e Tanzânia já têm mulheres presidentes, porque não São Tomé e Príncipe? Daria um grande sinal à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], à África Austral e ao resto do mundo de que temos uma democracia verdadeiramente forte”, concluiu.
Elsa Pinto é a segunda pessoa a manifestar intenção de se candidatar à Presidência de São Tomé e Príncipe, depois de o advogado Miques João ter lançado a candidatura, baseada no combate à corrupção, perseguição, ódio e cedência da Justiça “ao capricho da política e da delinquência”.
Durante a apresentação da candidatura, numa cerimónia realizada na Biblioteca Nacional, no dia 28 de fevereiro, com algumas dezenas de apoiantes, Miques João, que se afirma antissistema, lançou duras críticas contra aqueles que acusa de terem invertido os ideais e valores da independência nacional.
São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 17 de julho e legislativas, regional e autárquicas em 27 de setembro.