António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto, os candidatos presidenciais apoiados pelos partidos mais à esquerda no Parlamento, não estão a descolar nas sondagens. Como têm reagido a este cenário aparentemente desfavorável e em que temas estão a apostar?

Os três candidatos, representando o PCP, o Bloco de Esquerda e o Livre, respetivamente, enfrentam uma campanha difícil, com as sondagens a apontarem para uma corrida presidencial dominada pelos candidatos dos partidos do centro e da direita. Apesar dos números pouco animadores, as campanhas mantêm-se focadas nos seus eleitorados tradicionais e em temas que consideram fundamentais.

António Filipe, apoiado pelo PCP, tem centrado o seu discurso na defesa intransigente dos serviços públicos, na crítica às políticas de austeridade e na denúncia do que classifica como “submissão” da política externa portuguesa. A sua campanha apela ao voto útil da esquerda, argumentando que é a única forma de travar um eventual segundo mandato do atual Presidente da República ou a eleição de um candidato da direita.

Catarina Martins, candidata pelo Bloco de Esquerda, tem procurado alargar a sua base de apoio para além do núcleo duro do partido, focando-se em temas como a crise climática, os direitos das mulheres e a justiça social. A sua estratégia passa por mobilizar os eleitores mais jovens e aqueles descontentes com o status quo, apresentando-se como uma voz de mudança e de oposição firme às políticas económicas liberais.

Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, tem uma campanha marcadamente diferente, apostando num tom mais tecnocrático e em propostas concretas para áreas como a habitação, a saúde mental e a transição digital justa. O seu objetivo é captar o voto de eleitores mais moderados, mas progressistas, que se identifiquem com uma visão pragmática e ecologista da esquerda.

Analistas políticos referem que a grande fragmentação do voto à esquerda, dividido por três candidaturas, é um dos principais obstáculos ao sucesso de qualquer uma delas. A dificuldade em criar uma narrativa unificada ou em apresentar uma alternativa clara e mobilizadora face aos candidatos mais bem colocados nas sondagens tem limitado o impacto das suas campanhas.

Em comum, os três candidatos criticam o que consideram ser um debate presidencial excessivamente focado em personalidades e pouco nos problemas concretos dos portugueses. Procuram, cada um à sua maneira, “remar contra a maré” das sondagens, insistindo na importância do seu projeto político e apelando à participação eleitoral, na esperança de que uma elevada abstenção no seu eleitorado não venha a ditar o resultado final.