A agência de rating Fitch Ratings considerou hoje que uma aquisição total do Commerzbank pelo UniCredit S.p.A. poderia melhorar a longo prazo o perfil de crédito do grupo combinado e apoiar a estratégia pan-europeia do banco italiano. No entanto, a operação voluntária de troca de ações enfrenta riscos significativos de execução devido à sua natureza não solicitada e ao atual contexto geopolítico e de mercado incerto, alerta a Fitch.

O analista Rafael Quina, Senior Director da Fitch Ratings em Paris, assina o relatório, que não altera as notações atuais da UniCredit nem da Commerzbank.

Num comentário publicado esta terça-feira, a Fitch Ratings sublinha que a oferta lançada pelo UniCredit não tem impacto imediato nas suas notações atuais (A-/Estável). O banco italiano já detém cerca de 26% do capital da Commerzbank diretamente e quase 4% através de Total Return Swaps. A proposta visa elevar a participação acima do limiar dos 30%, o que obrigaria ao lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) nos termos da lei alemã, e pretende envolver mais ativamente os acionistas da Commerzbank numa eventual operação de controlo, refere a agência de rating.

A oferta deverá decorrer entre o início de junho e o início de julho, após uma assembleia-geral extraordinária da UniCredit para autorizar o aumento de capital necessário. O closing está previsto para a primeira metade de 2027, dependendo das aprovações regulatórias.

“Caso o UniCredit ultrapasse os 30%, ganharia flexibilidade para comprar ações em bolsa” defende a Fitch que estima que a participação final poderá ficar apenas ligeiramente acima desse patamar, o que impediria o controlo efetivo e a consolidação integral.

“Alcançar o controlo efetivo continua improvável nas condições atuais da oferta e face aos obstáculos existentes na Alemanha”, afirma o relatório da Fitch. Sem controlo efetivo, os impactos no capital seriam “negligenciáveis” e os efeitos nos resultados “apenas moderados”. A agência alerta ainda que uma aquisição total reduziria o rácio CET1 da UniCredit em cerca de 200 pontos base, mas considera que isso permaneceria consistente com as notações atuais, graças à disciplina financeira do banco italiano liderado por Andrea Orcel.

A Fitch reconhece que, a longo prazo, uma integração bem-sucedida poderia “materialmente reduzir a sensibilidade da UniCredit a Itália”, melhorando o ambiente operacional, o perfil de negócio e a qualidade dos ativos do grupo combinado. No entanto, a curto prazo, a rentabilidade do novo grupo ficaria “materialmente abaixo” das previsões independentes, devido aos custos de integração e de reestruturação.

A Fitch defende que os desafios para obter o controlo efetivo são “significativos”, incluindo o apoio dos acionistas: o Estado alemão detém cerca de 12% da Commerzbank, a BlackRock mais de 5%, investidores institucionais cerca de 32% e privados (retalho) 20%.

“Uma aquisição total ainda enfrenta obstáculos materiais, mas poderia ter implicações positivas nas notações a longo prazo, desde que os riscos de execução sejam bem geridos e as métricas de capital do grupo combinado permaneçam sólidas”, conclui a Fitch.

Esta análise surge numa altura em que a UniCredit intensifica a sua expansão europeia, num setor bancário marcado pela consolidação transfronteiriça e pela necessidade de ganhar escala face à concorrência internacional.