O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir novamente a taxa de juro diretora em 0,5 pontos percentuais, que passa de 18,5% para 17,5%, numa altura em que a inflação continua a desacelerar.
O Comité de Política Monetária determinou, assim, a terceira descida consecutiva da taxa BNA na primeira reunião de 2026, que decorreu em Luanda nos dias 13 e 14 de janeiro.
O mesmo órgão do banco central decidiu, igualmente, reduzir a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 19,5% para 18,5%, optando por manter a taxa de juro de facilidade permanente de absorção de liquidez em 16,5%.
De acordo com o governador Manuel António Tiago Dias, “a decisão sobre as taxas de juro de política justifica-se pela desaceleração consistente da inflação, que em dezembro superou o objetivo definido para 2025, bem como pela perspetiva de manutenção desta tendência nos próximos meses”.
Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou que a inflação homóloga desacelerou 11,80 pontos percentuais em dezembro, fixando-se em 15,70% no final do ano.
“O ano de 2025 foi marcado por tensões comerciais e geopolíticas que acentuaram a volatilidade nos mercados financeiros e os preços das commodities, condicionando o crescimento da economia mundial. Ao longo do ano, observou-se a consolidação do processo de desinflação da economia mundial, o que levou muitos bancos centrais a adotarem uma postura de maior flexibilização da política monetária”, continuou Manuel António Tiago Dias na conferência de imprensa pós-reunião da entidade responsável pela formulação da política monetária e cambial do país, que decorreu no Museu da Moeda.
Passando às commodities energéticas, o governador do banco central de Angola sublinhou que “o preço médio do petróleo brent fixou-se em 68,3 dólares por barril, correspondendo a uma redução de 14,4% comparativamente ao ano anterior, devido ao aumento da oferta num contexto de fraca procura mundial. Para 2026, as principais agências internacionais projetam um preço médio de petróleo em torno de 60 dólares”.
Relativamente à economia nacional, Manuel António Tiago Dias assinalou a “redução significativa da inflação face aos 27,5% registados em 2024”, que “resultou essencialmente do aumento da oferta de produtos de amplo consumo, da melhoria das condições monetárias refletida no controlo da liquidez em circulação e na sua adequação à atividade económica, bem como da estabilidade cambial observada ao longo do ano”.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária está agendada para o dia 12 de março.
O BNA vai apresentar, na próxima sexta-feira, dia 16 de janeiro, o Balanço e Perspectivas da Política Monetária da instituição, partilhando com os agentes económicos a condução da política monetária e cambial em 2025 e as suas perspectivas e orientações estratégicas para este ano.