À medida que as tensões no Médio Oriente se intensificam, a Morningstar DBRS divulgou um comentário analisando os potenciais efeitos no setor financeiro global. A conclusão central é que o impacto, tanto direto quanto indireto, permanece “gerível” para os grandes bancos e gestores de ativos globais, com exposição direta limitada.
A agência de rating sublinha que, apesar da expansão do conflito, a exposição direta das instituições financeiras globais à região não é material, embora os riscos macroeconómicos permaneçam sob vigilância.
A DBRS diz que embora o cenário aponte para resiliência, o prolongamento das tensões pode elevar provisões para perdas de crédito e desacelerar o crescimento global, exigindo monitoramento contínuo das instituições financeiras.
De acordo com o relatório, os bancos globais não possuem exposições diretas significativas à região do Médio Oriente que possam comprometer a sua estabilidade. No entanto, o setor não está imune. Os efeitos secundários deverão manifestar-se através de canais macroeconómicos, afetando a qualidade do crédito e crescimento, já que a incerteza pode abrandar o crescimento económico global.
Por outro lado, podem ser afetados pelas mudanças nas decisões dos bancos centrais sobre taxas de juro em resposta à volatilidade.
Michael Driscoll, Diretor de Ratings de Instituições Financeiras Globais, alerta para os riscos de um conflito prolongado: “Se o conflito escalar ou se mantiver por um período superior ao esperado, prevemos um aumento nas provisões para perdas com empréstimos e um crescimento económico global mais lento, o que acabará por enfraquecer os fundamentos de crédito.”
Gestão de Ativos: Resiliência e Atrasos Estratégicos
No que toca aos gestores de ativos globais, a DBRS indica que a exposição direta é igualmente inexistente. O impacto mais provável reside no timing operacional já que iniciativas de crescimento e expansão planeadas para a região podem sofrer atrasos.
Embora a volatilidade dos mercados possa afetar as avaliações, a agência acredita que é improvável que estas flutuações alterem os perfis de crédito das grandes instituições. No entanto, gestoras de menor dimensão podem apresentar maior vulnerabilidade.
Tim O’Brien, Diretor de Ratings de Instituições Financeiras da América do Norte, reforça a confiança no setor: “A maioria dos nossos maiores gestores de ativos classificados encontra-se no escalão de ‘Investment Grade’ (grau de investimento) e demonstra o nível de resiliência esperado perante tais eventos geopolíticos”.
Portanto, para já, a Morningstar DBRS mantém uma perspetiva de resiliência para o sistema financeiro global, embora ressalve que o aumento da incerteza e a duração das hostilidades são os fatores determinantes para a evolução da qualidade do crédito a longo prazo.