Alberto Ramos, o Country Manager do Bankinter Portugal, falava na apresentação dos 10 anos da sucursal em Portugal, quando avançou com os dados mais atualizados do crédito para a compra de habitação para os jovens até aos 35 anos. O novo crédito à habitação com garantia do Estado representa 10% do montante total da nova produção de crédito à habitação. O que compara com 20% do mercado.

Segundo os dados do Banco de Portugal, aproximadamente 20% crédito à habitação concedido pelos bancos em 2025 foi feito ao abrigo desta linha.

O Bankinter Portugal já consumiu 44% do plafond de garantia do Estado atribuída pelo Governo, e que foi de 60 milhões de euros. Isto significa que produziu, ao abrigo da garantia, 175 milhões de euros de crédito à habitação, nos últimos 14 meses.

“Esperamos esgotar o plafond até ao fim deste ano, o que significa 400 milhões de euros de produção”, disse Alberto Ramos.

No total da banca foi consumo 60% do plafond de garantia pública. A linha teve uma dotação inicial de 1,2 mil milhões de euros e foi reforçada com mais 350 milhões no ano passado. Pelo que, dos 1,55 mil milhões de euros da linha estatal, cerca 900 milhões já foram consumidos.

O responsável do Bankinter Portugal elogia a medida do Estado para ajudar os jovens até aos 35 anos a comprarem casa, uma vez que permite que comprem casa com financiamento a 100% (com 15% garantido pelo Estado). No entanto, defende que “a garantia do Estado deve ser equilibrada com medidas do lado da oferta”. Pois, a garantia do Estado, impulsionou a procura da habitação e fez subir os preços, e “tem de haver um mix de políticas”, ou seja, é fundamental aumentar a oferta.

A garantia pública tem o objetivo de viabilizar o financiamento de um prédio urbano ou de fração autónoma de prédio urbano em transações até 450 mil euros. Este limite aplica-se ao valor mínimo entre o preço de aquisição e o valor da avaliação do imóvel.

Recorde-se que segundo o Banco de Portugal, no total do crédito à habitação do ano passado, 17% foi concedido com garantia do Estado, com financiamento a 100% do valor do imóvel.

Os dados do Banco de Portugal mostram também que 20% do total de crédito à habitação concedido em 2025 foi com garantia do Estado. Desses, 19% foram concedidos com garantia com financiamento entre os 90% e os 100%.

Em 2025, o peso dos novos créditos à habitação própria e permanente com rácio Loan-to-Value (LTV) acima dos 90% saltou de praticamente zero, em 2024, para 24% do total concedido, disse o banco central que acrescentou que quase todos estes casos (85%) correspondem a operações com garantia do Estado, que permitem LTV de 100%. Como consequência, o LTV médio ponderado de todo o crédito à habitação subiu de 70% para 75%.

Moratórias de crédito nas zonas afetadas pelas tempestades

No que se refere às moratórias de crédito para particulares e empresas dos concelhos afetados pelas tempestades, Alberto Ramos revelou que “temos 97 clientes que solicitaram moratória, representando 20 milhões de euros de exposição, dos quais 36% são clientes particulares e 64% são empresas, 83% da moratórias são de capital e juros e 17% apenas de capital, a concentração destes créditos está essencialmente em Leiria e Santarém”.

“Em termos de linhas de apoio à reconstrução, para empresas, já contratámos 101 operações até ao momento no montante global de 25 milhões de euros (que já estão na conta dos clientes e destinam-se essencialmente de apoio à tesouraria) a e temos um adicional de cerca de 57 propostas que estão em trâmite para formalizar, correspondendo a mais 10 milhões de euros”, acrescentou.