
O gabinete de estudos económicos do Banco Fomento Angola prevê um crescimento de 3,3% em Angola, assente na expansão do consumo privado, num ano pré-eleitoral que obriga a disciplina orçamental e reformas estruturais.
“Esperamos que 2026 seja um ano de continuidade, mas com riscos acrescidos de natureza política, reforçando a necessidade de disciplina macroeconómica e de aceleração das reformas estruturais”, escrevem os economistas deste banco angolano.
No Relatório de Conjuntura enviado à Lusa, o gabinete de estudos económicos do BFA prevê um crescimento de 3,3% para este país lusófono africano, alicerçado num forte crescimento do consumo privado, que deverá crescer acima de 20%, e pela expansão da economia petrolífera, que deverá crescer 4,5%.
“A atividade económica deverá crescer em torno dos 3,3%, sustentada sobretudo pela economia não petrolífera que poderá crescer 4,5%, enquanto a petrolífera poderá voltar a contrair”, afirmam, antevendo uma quebra de quase 2% no setor petrolífero.
No relatório, os economistas salientam que Angola entra num ano pré-eleitoral, já que as presidenciais estão marcadas para 2027, e vinca que, neste contexto, “as decisões de política económica ganham maior peso político e social, influenciando de forma significativa a execução orçamental, a política monetária e a dinâmica cambial”.
O BFA vê a inflação média de 2026 a abrandar para 12,6%, chegando a dezembro com um aumento de preços na ordem dos 13,4%, o que, consideram, “poderá continuar a limitar ganhos mais expressivos no poder de compra das famílias e aumentar a sensibilidade social em torno da despesa pública”.
Relativamente à evolução da dívida pública, o valor nominal em dólares cifra-se em cerca de 65 mil milhões de dólares, cerca de 55 mil milhões de euros, o que faz com que a dívida, em percentagem do PIB, esteja agora nos 47,8% do PIB.