A apresentação não se limitou a mostrar peças de vestuário, mas constituiu um verdadeiro manifesto sobre a sustentabilidade, a inovação e a elegância que a bioeconomia pode trazer ao setor.

Assinado pelo criativo Paulo Gomes e pela equipa técnica do CITEVE, o desfile destacou novos produtos demonstradores que ilustram como a responsabilidade ambiental pode conviver com a sofisticação estética. “Mais do que uma apresentação de moda, este desfile é um manifesto visual sobre o potencial dos novos materiais. Quisemos mostrar que a bioeconomia não é um conceito abstrato ou árido; ela é orgânica, vibrante e tem uma sofisticação intrínseca que nasce da própria inteligência da natureza. Cada coordenado que cruzou a passerelle do Pátio da Galé prova que a responsabilidade ambiental é a nova face da elegância”, explicou Paulo Gomes.

O evento contou com a presença de diversas figuras públicas, entre elas Ana Salazar, Luís Buchinho, Eduarda Abbondanza, Guta Moura Guedes, José Fidalgo, Paula Mateus, Vera Deus e Teresa Ricou. Segundo António Braz Costa, diretor geral do CITEVE, a iniciativa traduz o resultado de uma colaboração sem precedentes entre ciência, academia e indústria: “Através do projeto be@t, estamos a demonstrar que Portugal tem a tecnologia e a capacidade técnica para liderar a transição global para uma bioeconomia circular. Estes produtos demonstradores provam que conseguimos transformar resíduos e matérias-primas de base biológica em soluções têxteis de alto desempenho, garantindo rastreabilidade e soberania industrial num mercado cada vez mais exigente.”

O desfile estruturou-se em quatro capítulos, cada um deles explorando uma faceta da inovação material. No segmento “Ciclo da Memória: Regeneração de Materiais”, destacaram-se fibras recicladas e estruturas que transformam resíduos pós-industriais e pós-consumo em novos têxteis de elevado desempenho, reduzindo a dependência de matérias-primas virgens. “Pulsar da Terra: Fibras Naturais Tradicionais” celebrou o saber-fazer enraizado na tradição têxtil, com linho, cânhamo, urtiga e fibras celulósicas de origem europeia reinterpretadas com acabamentos sustentáveis e rastreabilidade total.

Em “Alquimia do Amanhã: Inovação de Base Biológica”, a ciência encontrou-se com o orgânico, dando origem a experimentações com biopolímeros e resíduos agroindustriais que resultaram em não-tecidos e revestimentos técnicos orientados para estrutura e funcionalidade. O capítulo final, “Alma das Cores: Cor e Textura a partir de Resíduos”, mostrou pigmentos e acabamentos funcionais extraídos de cascas de ovo, cinzas de biomassa, bagaço de uva e bugalhos, conferindo às superfícies uma beleza singular em que a origem da matéria permanece visível.

O desfile do be@t revelou que a moda portuguesa pode olhar para o futuro sem abrir mão da estética nem da responsabilidade ambiental. A mensagem é clara: a bioeconomia não é apenas uma tendência, mas uma aposta concreta na circularidade, na inovação e na sofisticação que nasce da própria natureza.