O bloco dos BRICS+ prepara-se para uma nova liderança em 2026, com a Índia a assumir a presidência após o mandato do Brasil. O grupo, que reúne atualmente 11 países heterogéneos, continua a afirmar-se como uma força transformadora no xadrez geopolítico e económico global, representando uma alternativa com a qual o “Sul Global” se identifica.

A primeira Cimeira BRIC, realizada a 16 de Junho de 2009 em Yekaterinburg, Rússia, marcou a institucionalização do bloco, estabelecendo um roteiro baseado em princípios como a não interferência, igualdade e benefício mútuo. Os seus objetivos centram-se na reforma das instituições financeiras internacionais, no incremento do comércio intra-grupo e na promoção de um crescimento económico sustentável e inclusivo.

Na última reunião dos Sherpas (negociadores de alto nível), a 12 de Dezembro de 2025, a futura presidência indiana apresentou as suas prioridades para 2026, assentes em quatro eixos: resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade. A linha de fundo mantém-se: a ambição de uma reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU para uma representatividade condigna, dado que os BRICS+ representam cerca de 50% da população mundial e 40% do PIB em paridade de poder de compra.

Paralelamente, ganha forma o “Fórum BRICS – EUROPA”, uma plataforma de diálogo independente que visa discutir a construção de um Mundo Multipolar. A segunda edição, em Novembro de 2025 em Sochi, contou com a participação de cerca de 30 políticos europeus e destacou-se pela intervenção de Pierre de Gaulle, neto do general francês, que defendeu a renúncia ocidental às ambições de domínio global e vantagens numa cooperação mais estreita Europa-BRICS.

A 18ª Cimeira dos BRICS, a realizar na Índia em 2026, será o ponto alto de um ano de presidência marcado pelo aprofundamento da cooperação Sul-Sul e pela contínua pressão por uma governação mundial mais equitativa e representativa.