O líder parlamentar socialista acusou hoje o candidato presidencial Gouveia e Melo de “falsificação da história” ao associar António José Seguro ao corte de pensões durante o período da “troika”, considerando que só a sua tenacidade impediu que cortes temporários tivessem sido permanentes.
“Em política não vale tudo e muito menos a falsificação da história. Eu percebo que há um contexto eleitoral que não está a correr bem ao candidato Gouveia e Melo, mas não vale tudo. Isso é uma absoluta falsificação da história”, acusou Eurico Brilhante Dias em declarações à agência Lusa.
De acordo com o líder parlamentar do PS, “se houve personalidade que, ao longo daquele período difícil, foi contra os cortes salariais e de pensões, foi António José Seguro”.
“Lembro-me bem, desde o momento zero, o combate essencial foi não haver mais cortes e, mais do que isso, não tornar aqueles que eram temporários em permanentes. E só a tenacidade, o esforço, o sentido de Estado do Dr. António José Seguro é que impediu que isso acontecesse”, referiu.
Eurico Brilhante Dias, que se descreveu como “um ator que teve a possibilidade de presenciar de perto esse período da história”, relembrou que o PS era então uma oposição minoritária no parlamento e que Seguro se opôs consistentemente a esses cortes.
“Foi assim na discussão do Orçamento de 2012, de 2013 e de 2014, e devo dizer que, se não fosse a tenacidade do doutor António José Seguro, se calhar, tinha havido um acordo para um corte permanente de salários e de pensões, que era aquilo que, então a coligação PSD-CDS com a troika queriam fazer”, afirmou.
O líder parlamentar socialista sublinhou que Gouveia e Melo tem que “perceber que em política não vale tudo e que o ambiente eleitoral não justifica tudo”.
“A falsificação da história não é um argumento eleitoral, aliás, a falsificação da história só contribui para degradar o ambiente político e para degradar as instituições”, condenou.
As declarações de Brilhante Dias surgem em resposta a acusações feitas pelo candidato presidencial Gouveia e Melo, que associou o seu adversário António José Seguro ao corte do valor das pensões no período da “troika” e prometeu vetar qualquer decreto nesse sentido se for eleito.