A Câmara Africana de Energia (AEC) lançou um apelo ao setor energético para que boicote a próxima ‘Africa Energies Summit’, que se realiza em Londres, em maio, denunciando a sub-representação de conteúdo local e de profissionais africanos em cargos de liderança na entidade que organiza o evento.
Apresentada como “a primeira conferência mundial sobre o setor petrolífero upstream em África”, a cimeira organizada pela Frontier Energy Network “não conta com nenhum profissional africano negro entre os seus diretores”, sublinha a AEC num comunicado de imprensa emitido esta quarta-feira. “Este contraste marcante realça que a imagem de marca centrada em África da cimeira não corresponde a uma representação significativa dos africanos negros dentro da própria organização, que não passa de uma ferramenta destinada a gerar lucros”, denuncia.
“A mensagem é clara: o futuro do petróleo e do gás em África deve ser construído não só em África, mas também com os africanos no centro. É hora de boicotar a Africa Energies Summit”, apela a entidade liderada por NJ Ayuk.
A AEC reforça que tem trabalhado, a par de outras organizações e profissionais africanos, para “desenvolver, defender e promover a indústria do petróleo e do gás no continente”. “Estão na linha da frente para defender melhores condições fiscais, um ambiente político favorável, oportunidades de concessão de licenças e uma transição energética justa que reflita as necessidades de desenvolvimento de África”. “No entanto, empresas como a Frontier Energy Network demonstram até que ponto o talento africano continua a não ser integrado de forma significativa no setor que tanto se esforçaram por apoiar”.
“Não aceitaremos ser «excluídos» da indústria do petróleo e do gás. Queremos uma indústria acolhedora e aberta, inclusiva e solidária. Pessoas como Daniel Davidson adotam a abordagem contrária ao recusarem-se a contratar africanos negros. Vão ainda mais longe ao proibir a entrada a determinadas pessoas”, denuncia NJ Ayuk, presidente executivo da AEC, citado na mesma nota.
Quanto ao conteúdo local, a AEC considera-o ainda subestimado no quadro do setor. “Não pode continuar a ser um tema de debate reservado a conferências e documentos políticos. Não pode ser usado como ferramenta promocional antes de uma conferência em Londres. Deve refletir-se no recrutamento, no desenvolvimento de liderança, nas oportunidades para fornecedores e no acesso a toda a cadeia de valor energética. Um modelo de negócio centrado em África que não deixa espaço para profissionais africanos corre o risco de perder toda a credibilidade no mercado que pretende servir”, justificou.