A câmara municipal de Leiria deixou hoje duras críticas à atuação da E-Redes na resposta dada para repor a rede elétrica no concelho após os temporais. Esta companhia é a responsável pela rede de distribuição a nível nacional.

Ao fim de 11 dias da tempestade Kristin que atingiu o concelho e com 20 mil clientes ainda sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais, a autarquia escreveu uma carta aberta endereçada ao presidente da E-Redes, José Ferrari Careto.

“Passaram já 11 dias desde o fenómeno meteorológico extremo que atingiu o concelho de Leiria e, à data de hoje, permanecem ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais”, começa a missiva também assinada pelas juntas de freguesia do concelho.

“Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”, pode-se ler.

Reconhecendo o “esforço técnico das equipas no terreno” e tendo “plena consciência da dimensão excecional dos danos causados”, os signatários dizem estar preocupados com a “ausência de informação clara, regular e territorializada”, mas também com a “insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia elétrica”.

Sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a carta defende que é indispensável:

  • “A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização”;
  • “A criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas”;
  • “A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade”;
  • “A presença regular de responsáveis da E-REDES no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais”.

Os signatários escrevem que a “a falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono”.

Além dos “prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”.

A autarquia leiriense e as juntas dizem que “não podem aceitar que, passados 11 dias, milhares de pessoas continuem sem eletricidade, sem respostas claras e sem medidas de mitigação adequadas a um serviço absolutamente essencial à sua vida quotidiana”.

A E-Redes comunicou esta manhã que tinha menos seis mil clientes sem abastecimento elétrico, face ao final da tarde de sexta-feira Pelas 8h00 deste sábado, faltava energia elétrica em 63 mil clientes.

Na zona mais afetada pela depressão Kristin, continuavam por alimentar 57 mil clientes, segundo a “Lusa”. Leiria tem 41 mil clientes sem energia, Santarém regista 11 mil clientes, Castelo Branco quatro mil e Coimbra mil.