Os conservadores da União Democrata-Cristã destronaram hoje o Partido Social-Democrata no estado alemão da Renânia-Palatinado, onde governava há 35 anos ininterruptamente, e a extrema-direita duplicou os votos conquistando o terceiro lugar, segundo os resultados oficiais.

Com 96% dos votos escrutinados, a União Democrata-Cristã (CDU) obtém 30,9%, o Partido Social-Democrata (SPD) 25,9%, a extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) 19,6% e Os Verdes 7,8%.

“A CDU da Renânia-Palatinado voltou”, celebrou o líder da lista da CDU, Gordon Schnieder, que sublinhou, na região onde nasceu o ex-chanceler conservador Helmut Kohl, que os eleitores “escolheram a mudança e querem uma política educacional melhor, e outra política de segurança, saúde e económica”.

O cabeça de lista do SPD, o atual primeiro-ministro da Renânia-Palatinado, Alexander Schweitzer, que liderava a região desde julho de 2024, disse que é preciso “não enterrar a cabeça” e desempenhar como partido um “papel forte” no governo, acreditando poder integrá-lo.

“Vamos formar um governo como decorrer dos resultados, é o que merecem os habitantes da Renânia-Palatinado”, afirmou, ao felicitar Schnieder, cujo partido ocupará pela primeira vez desde 1991 a liderança do governo da região.

Para uma maioria absoluta no Parlamento regional são necessários 51 lugares.

O Partido Liberal (FDP) – parte do atual governo juntamente com o SPD e os Verdes desde 2016 -, A Esquerda e os Eleitores Livres ficaram de fora do hemiciclo.

Schnieder já descartou aliar-se com a extrema-direita, pelo que a única possibilidade de formar uma maioria de governo será uma aliança da CDU, que é o partido também do chanceler alemão, Friedrich Merz, com o SPD.

O forte avanço da AfD, ao passar de 8,3 % em 2021 para quase 20% nestas eleições, faz do partido de extrema-direita o maior partido da oposição.

O cabeça de lista da AfD, Jan Bollinger, celebrou o resultado conseguido, o “mais forte no oeste” da Alemanha, com 24 lugares do total de 101.

Economia, educação e clima dominaram a campanha eleitoral, mas o tema das migrações captou a atenção do eleitorado, devido ao forte aumento dos processos de pedido de asilo neste estado, mais cerca de oito mil em 2025 em relação ao ano anterior.

A derrota do SPD irá agravar a crise que o partido vive a nível nacional e a liderança dos co-líderes, Bärbel Bas e Lars Klingbeil, ministros do Trabalho e das Finanças, respetivamente, no Governo federal de Friedrich Merz, fica enfraquecida.

Bas já reconheceu que a direção do partido em Berlim tem de assumir a sua responsabilidade nos resultados desta eleição na Renânia-Palatinado.