Os principais líderes da banca portuguesa defenderam, no Fórum Banca 2026 organizado pelo Jornal Económico, a necessidade de prolongar a garantia do Estado ao crédito à habitação jovem, uma medida que tem impulsionado a nova produção de crédito. O regime atual, que permite financiamentos até 100%, termina a 31 de dezembro de 2026.
Pedro Leitão, CEO do Banco Montepio, afirmou que “os resultados até agora demonstram que a garantia do Estado devia ser prolongada”, mas sublinhou que é necessário atacar o problema de forma estrutural, do lado da oferta. “O problema do custo da habitação está também do lado da oferta de habitação”, referiu, defendendo a necessidade de agilizar os processos de licenciamento.
Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), revelou que o banco concedeu 5,8 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, dos quais 1,5 mil milhões foram a jovens com garantia pública. “A garantia veio oferecer a possibilidade de acesso a casa”, disse, reconhecendo que o principal problema continua a ser a “falta de habitação”.
Miguel Maya, CEO do BCP, também se mostrou a favor da continuidade da medida, que permite financiamento a 100%, mas alertou para os riscos. “Se vamos a emprestar a quem não tem capacidade de pagar estamos a adiar um problema”, afirmou, destacando que o crédito jovem não resolve o problema da habitação, mas sim o dos jovens que não têm entrada. No BCP, a taxa de aprovação deste crédito ronda os 65%.
Isabel Guerreiro, CEO do Santander Totta, reconheceu que “a medida funcionou”, mas não defende o financiamento a 100% por regra. Já João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, defendeu que “se alguma coisa corre bem, deve continuar”, mas lembrou que a solução de fundo “passa por construir mais casas”.
Os banqueiros abordaram ainda outros temas, como a simplificação regulatória e a concentração no setor. João Pedro Oliveira e Costa criticou a “muita intenção e pouca ação” na simplificação, enquanto Sérgio Frade, CEO do Crédito Agrícola, defendeu a necessidade de uma União do Mercado de Capitais na Europa.
O debate ocorreu após o Ministro da Economia, Manuel Castro e Almeida, ter apontado uma “marca negativa” à banca: o valor dos depósitos das empresas ser superior ao dos créditos, um fenómeno inédito nos últimos 45 anos. O ministro alertou que “o excesso de prudência atrasa o crescimento económico”.