“Estamos a ouvir agora os barulhentos satélites da Starlink de Elon Musk…”, disse o presidente da Ryanair, Michael O’Leary, esta quarta-feira numa sala de hotel no centro de Lisboa, ironizando enquanto passava um avião.

Foi assim lançado, em conferência de imprensa, o tema da discussão muito pública entre o gestor irlandês e a pessoa mais rica do mundo, dona da Tesla, SpaceX e Starlink.

Tudo começou quando O’Leary rejeitou a possibilidade de instalar internet nos aviões da Ryanair recorrendo ao sistema de satélites Starlink, como fizeram a Lufthansa e a British Airways. Nas suas contas, a instalação de uma antena no topo do avião teria um custo anual de 200 milhões de dólares devido ao aumento do consumo de combustível.

Elon Musk criticou as declarações, insultou-o e chegou a ameaçar comprar a Ryanair, com O’Leary a recordar-lhe que é impossível um cidadão de fora da UE/EFTA deter a maioria de uma companhia aérea da UE.

“Até a Grok [plataforma de IA da xAI de Elon Musk] confirma que a Ryanair está correta: colocar uma antena no exterior do avião aumenta o consumo de combustível com um custo de 200 milhões de dólares por ano”, afirmou O’Leary em Lisboa.

O CEO da Ryanair explicou que tem falado com a Starlink, Amazon e Vodafone, mas que a tecnologia ainda não está suficientemente desenvolvida. “Ainda precisa da antena no topo do avião, o que aumenta o consumo de combustível. Na opinião da Starlink, 60% dos passageiros pagariam 4 ou 5 euros para ter acesso. Na nossa opinião, menos de 5% vai pagar”, disse, referindo que os passageiros já levam conteúdo guardado nos seus dispositivos.

Sobre o insulto de Musk, que o chamou de “parvo atrasado”, O’Leary mostrou-se descontraído: “Estou habituado a ser insultado… em casa, pelos meus próprios filhos. A melhor reação que tive foi do meu filho de 16 anos que me enviou uma mensagem a dizer: ‘como se atreveu a insultar-te? Esse é o meu trabalho’.”

Fazendo as contas da discussão pública, o CEO da Ryanair respondeu com um pragmático ‘mal ou bem, falem de mim’. “Estou muito grato: gerou 50 milhões de dólares de publicidade grátis nas últimas duas semanas. Devíamos arranjar forma da disputa continuar para gerar mais 50 milhões de publicidade grátis”, afirmou.

“As visitas ao nosso website a partir dos EUA dispararam 200% e as reservas subiram mais 3% face ao esperado. Pode não ter sido bom para a minha reputação, mas também não acho que seja boa de qualquer forma, não me interessa”, concluiu o líder da maior companhia aérea da Europa.