Álvaro Santos Pereira e Mário Centeno estão a ser chamados ao Parlamento pelo Chega, que quer ouvir o atual governador do Banco de Portugal e o anterior líder da instituição sobre a compra da nova sede.
“A decisão de aquisição e construção da nova sede do Banco de Portugal continua a suscitar relevantes questões de natureza financeira, patrimonial e de transparência que justificam um escrutínio parlamentar aprofundado”, escreveu o partido no requerimento entregue quinta-feira no Parlamento.
O partido de André Ventura nota que, “já em fase final do seu mandato, o então Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, promoveu a celebração de um contrato-promessa de compra e venda com entidades do Grupo Fidelidade, vinculando a instituição a um investimento de grande dimensão e impacto futuro”.
Este processo, lê-se ainda no requerimento, “foi objeto de iniciativas parlamentares anteriores, nomeadamente pedidos de audição e de envio de documentação, cuja tramitação tardia e incompleta condicionou o adequado exercício das competências de fiscalização por parte da Assembleia da República”, além de que “a audição entretanto realizada não permitiu dissipar dúvidas essenciais, designadamente quanto à avaliação de alternativas, à fundamentação económica da decisão e aos critérios seguidos na escolha da solução adotada”.
“A posterior disponibilização de documentação, já em fase avançada e sob regime de confidencialidade, não contribuiu para um esclarecimento pleno e transparente da matéria”, afirma ainda o Chega, acrescentando que, “neste contexto, importa assegurar um novo momento de escrutínio, tanto mais que se trata de uma decisão com impactos duradouros na gestão de recursos públicos e na própria credibilidade institucional do Banco de Portugal”.
“Por outro lado, encontrando-se atualmente em funções o Governador Álvaro Santos Pereira, revela-se igualmente indispensável conhecer a posição da atual liderança relativamente a este processo, bem como o ponto de situação da operação, eventuais reavaliações efetuadas e os próximos desenvolvimentos previstos”, conclui o Chega, que diz querer ter “uma visão completa e atualizada sobre a decisão tomada, os seus fundamentos e a sua execução”.
Em julho do ano passado, Mário Centeno disse que “o banco olhou para mais de 20 localizações possíveis em Lisboa”, considerando o projeto da nova sede como “muito importante”. “Vamos poupar 10 milhões de euros por ano em rendas com esta operação”, afirmou então.