Na preparação para os ataques dos Estados Unidos e de Israel, a Agência Central de Inteligência norte-americana, a CIA, avaliou que, mesmo que o líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, fosse morto na operação, provavelmente seria substituído por figuras linha-dura da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A avaliação, elaborada ao longo das últimas duas semanas, analisou de forma geral o que poderia ocorrer no Irão após uma intervenção militar e até que ponto essa operação poderia desencadear uma mudança de regime na República Islâmica — um objetivo declarado de Washington. A IRGC é uma força militar de elite cujo objetivo é proteger o regime clerical muçulmano xiita no Irão.
Os relatórios da agência de inteligência não chegaram a nenhuma conclusão definitiva sobre o cenário, disseram fontes citadas pela agência Reuters. O presidente Donald Trump vem sinalizando há semanas que os Estados Unidos têm interesse numa mudança de regime no Irão, mas não detalhou o pensamento de Washington sobre quem poderia liderar o país.
Num pronunciamento em vídeo na manhã de sábado, Trump descreveu Teerão como um “regime terrorista” e encorajou o povo iraniano a tomar o poder, afirmando que os ataques militares dos Estados Unidos preparariam o terreno para uma revolta.
Em uma reunião informativa na semana passada, o Secretário de Estado Marco Rubio disse aos principais legisladores do Congresso, conhecidos como o Grupo dos Oito, que uma operação norte-americana iria mesmo acontecer, mas que Trump poderia mudar de ideias, principalmente se as negociações nucleares fossem bem-sucedidas.
Na sexta-feira à noite, Rubio notificou o Grupo dos Oito de que a operação para atacar o Irão iria provavelmente começar nas horas seguintes, mas disse que Trump ainda poderia mudar de ideias.
De qualquer forma, uma das principais críticas internas à atuação dos Estados Unidos em conjunto com Israel é precisamente o facto de Trump não se ter preocupado em conseguir o apoio do Congresso à intervenção. Segundo a lei, só o Congresso pode decidir uma intervenção armada externa dos Estados Unidos – mas a Casa Branca escuda-se na necessidade de que a operação teria de ser processada de forma privada.
Segundo algumas opiniões, Trump não estará interessado em ver o filho mais velho de Mohammad Reza Pahlavi, o último Xá do Irã, no poder em Teerão. O certo é que, para os analistas, o homem que disse este sábado que a intervenção EUA-Israel é “humanitária”, não parece ter qualquer tração no seio da sociedade iraniana – com muitos iranianos a recordarem ainda o grau de repressão e de entrega ao exterior do potencial natural do país que o antigo Xá permitiu ao longo do tempo que esteve à frente do país.