A região de Coimbra prepara-se para uma revolução tecnológica na gestão das suas florestas. Depois de um 2025 negro, em que a região registou a pior época de incêndios da sua história com 64.000 hectares ardidos, a EOS Data Analytics (EOSDA), em parceria com a EOSSAT e a Agência Espacial Europeia (ESA), vai implementar um sistema inovador de monitorização via satélite.
O cenário de 2025 foi devastador: além da destruição em Coimbra, cerca de 270.000 hectares foram consumidos pelas chamas em todo o país. Perante a ineficácia dos métodos tradicionais de inspeção terrestre — considerados lentos e dispendiosos para cobrir áreas vastas — a solução passará agora pelo espaço.
O novo projeto, financiado pelo programa InCubed da ESA, terá início em março de 2026. Através desta iniciativa, a EOSDA e a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra vão monitorizar 19 municípios, cobrindo uma área de 4.336 km².
A solução combina os dados do satélite EOS SAT-1, que oferece uma resolução de 3 metros, com processamento automatizado. “Através do InCubed, a ESA apoia a transformação de dados de Observação da Terra em serviços que respondem a desafios reais”, destaca Daniele Romagnoli, responsável pelo programa na ESA.
Estas informações serão integradas diretamente na plataforma SADGE (Sistema de Apoio à Decisão e Gestão da Emergência) da CIM Coimbra, permitindo uma resposta rápida e fundamentada.
Com mais de 45% da região coberta por floresta, Coimbra será o “balão de ensaio” para uma tecnologia que Oleksii Shchehliuk, Diretor-Geral da EOSDA, acredita ter “um forte potencial de expansão para outras regiões e países que enfrentam riscos semelhantes”.
O objetivo é claro: garantir que os números trágicos de 2025 não se repitam, utilizando a inteligência espacial para proteger as comunidades e o património natural português.