Grupos de comerciantes de matérias-primas perderam biliões de dólares no início da guerra do Irão, no final de fevereiro, após terem sido surpreendidos por apostas na queda dos preços da energia, de acordo com relatório da consultora Oliver Wyman revelado este domingo pelo Financial Times.
Apesar destes grupos terem a tendência de lucrar em tempos de caos e volatilidade, o início do conflito que eclodiu há seis semanas – e que bloqueou mais de cem navios petroleiros no Golfo – acabou por surpreender muitos destes operadores devido ao aumento repentino nos preços do petróleo.
Alexander Franke, chefe de risco e negociação da Oliver Wyman, avança mesmo que essas perdas iniciais podem ter atingido os biliões de dólares. “Para a maioria dos participantes, a situação foi uma surpresa”, disse este responsável. “Antes do início da guerra, havia uma forte convicção no mercado de que os preços cairiam, e por causa da guerra, estes dispararam.”
O Financial Times já tinha avançado que operadores como a Vitol, Trafigura e Mercuria enfrentaram perdas nos primeiros dias da guerra, embora algumas delas tenham sido revertidas desde então.
Da mesma forma, os negociadores de petróleo com carregamentos em trânsito também acabaram por ser penalizados por terem enfrentado “margin calls” excessivas quando os futuros do Brent subiram. Resta dizer que estas “margin calls” (notificações de uma corretora que exigem que um investidor deposite fundos adicionais) não representam uma perda mas acabam por exigir um desembolso de caixa significativo.
Assim, os comerciantes de matérias-primas acabaram por ser impactados não apenas pelas posições vendidas no mercado mas também pelo custo considerável na substituição de carregamentos de combustível que ficaram presas no Golfo.
Comerciantes e empresas de petróleo que tinham navios sendo carregados no Golfo já teriam concordado em vender essas cargas para datas futuras por preços acordados, sendo forçados a substituir as cargas a preços muito mais altos quando a guerra reteve as cargas originais.