A CONFAGRI considera insuficiente o recente pacote de medidas do Governo para mitigar a subida dos preços dos combustíveis, alertando que o setor agroalimentar português enfrenta um cenário de crescente pressão económica.

O presidente da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e Agroindustriais de Portugal, Idalino Leão, sublinha que os aumentos nos preços do gasóleo agrícola, que desde o início do mês atingiram cerca de 42 cêntimos por litro, tornam o apoio estatal de apenas 10 cêntimos por litro “claramente insuficiente”.

A diferença em relação a Espanha é notória: o país vizinho implementou um desconto de 20 cêntimos por litro e disponibilizou um pacote de apoio à agricultura avaliado em 877 milhões de euros. Para a CONFAGRI, a disparidade cria um fosso competitivo que prejudica os produtores portugueses.

“É impossível reforçar a competitividade do agroalimentar português face ao espanhol sem assegurar equidade ibérica nos preços de combustíveis e energia”, afirmou Leão, durante o encerramento do seminário A Nova Política Agrícola Europeia: Desafios e Perspetivas para Portugal, realizado na 58.ª AGRO, em Braga.

O dirigente alerta que o setor está “absolutamente asfixiado” e exige “medidas urgentes” que aliviem os encargos provocados pelos aumentos de combustível e energia. Reforçou ainda que Portugal não pode ficar atrás de Espanha na competitividade ibérica e apelou ao Governo para retomar propostas já implementadas em 2022 e 2023, direcionadas aos setores mais afetados pelos custos de produção.

O setor agroalimentar português, segundo Leão, precisa de respostas rápidas e eficazes, sob pena de ver ameaçada a sua sustentabilidade e a capacidade de competir de forma justa no mercado ibérico.