Os preços mundiais dos alimentos subiram em março para o nível mais alto desde setembro do ano passado e podem aumentar ainda mais se o conflito no Médio Oriente continuar, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) citada pela “Reuters”.

“Os aumentos de preços desde o início do conflito têm sido modestos, impulsionados principalmente pela alta dos preços do petróleo e atenuados pela ampla oferta global de cereais”, disse o economista da FAO, Maximo Torero, em comunicado.

No entanto, se o conflito durar mais de 40 dias e os custos de produção permanecerem altos, os agricultores podem reduzir os recursos, plantar menos ou mudar para culturas que exigem menos fertilizantes.

O índice de preços de cereais subiu 1,5% em relação ao mês anterior, impulsionado por um aumento de 4,3% nos preços internacionais do trigo, devido à piora das perspectivas de safra nos EUA e à expectativa de menor plantio na Austrália em função do aumento dos custos de fertilizantes.

Os preços globais do milho subiram ligeiramente, uma vez que a ampla oferta global compensou as preocupações com os custos dos fertilizantes e o apoio indireto das maiores perspectivas de demanda por etanol, ligadas aos preços mais altos da energia.

Os preços do arroz caíram 3,0% devido ao período de colheita e à menor demanda por importações.

Os preços dos óleos vegetais subiram 5,1%, marcando o terceiro aumento mensal consecutivo. As cotações mais altas para os óleos de palma, soja, girassol e canola refletiram o impacto da alta dos preços globais da energia e as expectativas de maior demanda por biocombustíveis. Os preços do óleo de palma atingiram seu nível mais alto desde meados de 2022.

Os preços do açúcar subiram 7,2% em março, atingindo o maior patamar desde outubro de 2025, impulsionados pela alta dos preços do petróleo bruto, que alimentou as expectativas de que o Brasil, maior exportador mundial de açúcar, destinaria mais cana-de-açúcar à produção de etanol.

Os preços da carne subiram 1,0%, impulsionados pela alta dos preços da carne suína na União Europeia e da carne bovina no Brasil, enquanto os preços das aves apresentaram leve queda.