Helena Roseta, deputada à Assembleia Constituinte, recorda as intensas negociações que, há 50 anos, decorreram dentro e fora do Palácio de São Bento para se chegar à aprovação da Constituição Portuguesa. “Havia uma revolução na rua, havia uma revolução social no país, havia armas, havia o poder na mão dos militares e a gente tinha a obrigação de fazer um texto constitucional para instaurar a democracia formal”, afirma a antiga parlamentar.
O processo foi marcado por um ambiente de grande tensão e fervor revolucionário. Roseta descreve um “verão quente” de 1976, com o cerco ao parlamento por parte de grupos radicais que pressionavam os deputados constituintes. No interior do hemiciclo, as sessões eram um verdadeiro “pandemónio”, com debates acalorados sobre a forma do novo Estado, os direitos sociais e a organização económica.
A antiga deputada sublinha que a Carta Magna portuguesa foi fruto de um árduo trabalho de compromisso e negociação, longe de ser um documento imposto ou que “caiu do céu”. Foi um momento fundador da democracia portuguesa, realizado sob circunstâncias excecionais de transformação política e social.