Os CTT – Correios de Portugal avisaram os investidores esta quarta-feira, 18 de março, de que a guerra no Médio Oriente está a impactar o negócio, antecipando uma quebra do EBIT recorrente face ao registado, ainda que projetem um crescimento para o conjunto do ano.

Nos primeiros três meses do ano passado, os resultados recorrentes antes de juros e impostos (EBIT) foram de 20,2 milhões de euros, o que traduz um crescimento homólogo de 19,5%.

No conjunto do ano, aumentaram 35,3%, para 115,2 milhões de euros, com uma margem de 8,9%, mais 1,3 pontos percentuais do que há um ano. Sem serem ajustados, subiram 24,9%, para 92,2 milhões de euros.

“[O primeiro trimestre de 2026] será marcado por diversos acontecimentos conjunturais externos, nomeadamente, relacionados com a geopolítica do Médio Oriente que está a causar perturbações nas cadeias globais de abastecimento logístico, impactando o tráfego e custos”, aponta empresa, no comunicado de apresentação dos resultados de 2025, divulgado através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Uma parte muito significativa do volume de encomendas tem como origem a China, que usa o Médio Oriente como ponto de passagem para a Europa. A guerra provocada pelo ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão e a resposta indiscriminada deste, que já atacou oito dos países da região, levaram à rutura das cadeias de abastecimento.

Ainda que se mantenham as compras, o trânsito das encomendas tornou-se mais demorado.

Os CTT apontam também como fatores que impactaram negativamente o negócio no início do ano “a depressão Kristin em Portugal e no sul de Espanha que conduziu a menor afluência à rede de lojas CTT e provocou perturbação das operações, e uma peak season de 2025 anormalmente concentrada e com repercussões que se estenderam”.

Mesmo assim, trabalhando com um cenário em que o conflito no Médio Oriente não seja prolongado, a gestão dos CTT antecipa um EBIT recorrente de “pelo menos” 125 milhões de euros, traduzindo um crescimento de 8%.

O lucro dos CTT aumentou 11,4% no ano passado, face a 2024, para 50,7 milhões de euros, suportado pelo crescimento da área de negócio de Soluções de Comércio Eletrónico e, nesta, da integração da espanhola Cacesa.

Os rendimentos operacionais (receita bruta, que não inclui itens extraordinários) do grupo aumentaram 16,3%, para 1.288,1 milhões de euros.

“Um desempenho muito positivo”, classifica o conselho de administração dos CTT, que aponta três fatores que o determinaram: a consolidação da Cacesa, o crescimento significativo do Banco CTT, “que superou claramente os objetivos”, e a recuperação da área de Correio e Serviços.

A Compañia Auxiliar al Cargo Expres (Cacesa), empresa do setor aduaneiro de comércio eletrónico internacional, foi comprada 106,8 milhões de euros, tendo o negócio sido concluído em maio de 2025.

Os rendimentos operacionais da área de comércio eletrónico aumentaram 33,7%, para 626,3 milhões de euros. Mesmo sem a Cacesa, os rendimentos operacionais do comércio eletrónico aumentaram 13,9%, “graças ao crescimento do tráfego e da receita média por objeto”.

O peso do comércio eletrónico nas receitas do grupo subiu 7,4 pontos percentuais, para 49,7%, representando praticamente metade das receitas.

As receitas da área de negócio de Correio e Serviços aumentaram 1,5%, para 516,4 milhões de euros, mas beneficiando da integração nesta área dos Serviços Financeiros, cujas receitas registaram um crescimento de 49,9%, devido ao aumento da colocação de dívida pública.

As receitas do terceiro pilar da operação, o Banco CTT, subiram 11,9%, para 145,4 milhões de euros.

Os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) subiram 23,8%, para 198,4 milhões de euros.

“Foi um ano notável, em que os CTT alcançaram os objetivos anunciados no Capital Markets Day 2022”, sublinha o conselho de administração liderado por João Bento, que deixa a empresa na próxima assembleia geral, no final de abril, sucedendo-lhe Guy Pacheco, atual administrador financeiro.