A sessão de quarta-feira foi marcada pela divulgação dos dados do emprego norte-americano em janeiro, que superou as estimativas dos analistas, tendo sido criados 130 mil empregos, e tendo a taxa de desemprego caído para 4,3%.
Os bons dados animaram Wall Street que abriu a sessão de quarta-feira no ‘verde’, uma vez que este é considerado um importante indicador, uma vez que pode influenciar a trajetória e expectativas sobre o caminho das taxas de juro no país.
Apesar dos bons resultados de quarta-feira, os dados das vendas a retalho, divulgados na terça-feira, fizeram com que o dólar continuasse a “perder terreno face às principais moedas”. “O índice que mede o desempenho da divisa norte-americana face a um cabaz das principais divisas caiu abaixo dos 96,5 pela primeira vez este mês, prolongando a dinâmica negativa observada nas últimas sessões. Os dados das vendas a retalho, divulgados na terça-feira, ficaram aquém das expectativas, apontando para uma estagnação do consumo e reforçando a perceção dos mercados de que a maior economia do mundo está a abrandar”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“Neste contexto, o cenário de pelo menos dois cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal em 2026 ganhou força, aumentando a pressão sobre o dólar”, refere.
Os olhos dos investidores vão estar agora na divulgação da inflação norte-americana, que é divulgada na sexta-feira. “Caso os dados confirmem sinais de arrefecimento da economia norte-americana, poderá existir margem para nova fraqueza do dólar”, salienta.
O setor tecnológico também tem estado em destaque nos últimos dias, “estendeu-se a sensação de que a tecnologia – e particularmente tudo o relacionado com IA – deva deter as suas subidas e corrigir até que se comprove que as peças encaixam mais ou menos bem. Não ocorre nenhuma mudança de fundo, mas sim um ceticismo sobre a elevada velocidade que a tecnologia desenvolveu e, particularmente, os semis, tornando-se necessária uma correção preventiva… foi o que aconteceu nos últimos dias”, afirmam os analistas do Bankinter.
“A inteligência artificial continua a ser o principal motor do crescimento económico nos Estados Unidos. No entanto, os investidores começam a questionar a ideia de que a IA possa beneficiar todos de forma indiscriminada. A expectativa é que haverá vencedores claros, mas também maior disrupção de modelos de negócio estabelecidos. O mercado está a ajustar-se a essa nova narrativa. Podemos esperar rotações mais agressivas e períodos de maior volatilidade dentro dos próprios setores ligados à tecnologia e aos serviços financeiros”, sublinha Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.