Os despedimentos coletivos comunicados em Portugal aumentaram cerca de 11% em 2025, face ao período homólogo, totalizando 552 processos, o valor mais elevado desde 2020. Apesar deste crescimento, os economistas contactados pelo Jornal Económico defendem que o seu impacto no aumento da taxa de desemprego é muito limitado.
“Estes despedimentos coletivos têm um impacto muito pequeno em termos do aumento do desemprego. A economia comporta este nível de despedimentos coletivos”, afirmou João Cerejeira, economista da Universidade do Minho.
Os dados da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) mostram que é preciso recuar a 2020 para encontrar um número tão elevado, quando se atingiram os 698 processos. Em 2024, o número situou-se nos 497.
Os especialistas apontam que os despedimentos se concentram em setores específicos que enfrentam dificuldades. “Há dois sectores onde mais se nota a ocorrência dos despedimentos coletivos e que são a indústria transformadora e no comércio”, destacou o economista Filipe Garcia.
João Cerejeira acrescentou que “alguns sectores, como os ramos da indústria transformadora – o têxtil, vestuário e do calçado – estão a passar por momentos difíceis”.
Esta dinâmica é vista como parte de um ajustamento na economia. “Isto tem que ver com um conjunto de ajustamentos na economia, faz com que determinados modelos, quer de comércio, quer da indústria estejam a ser de alguma maneira postos em causa por concorrência”, explicou Filipe Garcia, que a descreve como “o espelho de uma reconversão económica”.
Apesar do aumento dos despedimentos coletivos, a taxa de desemprego nacional mantém-se em níveis baixos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa fixou-se em 6,0% em 2025, recuando face a 2024 e ficando abaixo das previsões do Governo (6,1%) e da Comissão Europeia (6,3%).
“Se verificarmos o número de trabalhadores abrangidos [nos despedimentos coletivos] continua a ser bastante reduzido face ao número total de desempregados”, sublinhou João Cerejeira.
Quanto ao papel do Governo, o economista da Universidade do Minho defende que a prioridade deve ser “minimizar as consequências dos despedimentos coletivos”, especialmente para evitar a criação de “bolsas de desemprego” em regiões muito dependentes dos setores afetados.