O tempo em que a banca e o desporto estiveram de costas voltadas parece estar ultrapassado… pelo menos, para já. Atualmente, o desporto continua a consolidar-se como uma nova (e próspera) classe de ativos para as grandes fortunas e a prova disso é a forma como o alemão Deutsche Bank está a posicionar-se.

Um dos grandes bancos a nível europeu reforçou a sua estrutura de forma a financiar operações ligadas ao setor do desporto numa resposta assertiva ao crescente interesse dos clientes da entidade a entrar no património deste tipo de ativos.

O Deutsche Bank nomeou Sowmya Kotha em Londres e Joshua Frank em Nova Iorque para que estes dois altos quadros possam catapultar a liderança do banco na estratégia do setor desportivo na Europa e nos EUA, respetivamente. Estes dois executivos, provenientes da área de financiamento de negócio da banca privada, irão reportar a Adm Russ, responsável global de wealth management&business lending.

“O desporto converteu-se numa categoria de investimento reconhecida à escala global e os nossos clientes participam nessa categoria de forma cada vez mais ativa”, destacou Claudio de Sanctis, responsável de banca privada do Deutsche Bank em comunicado.

Esta decisão de um dos bancos mais impactantes da Europa parece ir ao encontro de uma tendência clara: o desporto deixou de ser um investimento de oportunidade de forma a consolidar-se no âmbito das classes de ativo estruturais inseridas nas estratégias patrimoniais a longo prazo. A própria entidade bancária tem vindo a detetar um aumento sustentado da procura de financiamento destino a operações que estejam ligadas a clubes e a competições.

Norte-americanos a ganhar relevância

Neste cenário de procura crescente por ativos ligados ao mundo do desporto, são os clientes norte-americanos que parecem mostrar uma maior apetência por este tipo de negócios. Dados internos do Deutsche Bank mostram que os clientes dos EUA têm uma exposição três vezes superior à dos europeus.

A cultura de investimento em estruturas desportivas nos EUA já tem uma longa tradição, sendo que as franquias desportivas são vistas como ativos com um percurso estável que vêm acompanhadas de contratos audiovisuais generosos e de longa duração e estruturas de competição fechadas (como é o caso da NBA e que seria a SuperLiga) que acabam por limitar o risco competitivo.

Nos últimos anos, tanto a NBA como a NFL (futebol americano) e MLB (basebol) têm vindo a mostrar o quão desejadas são as suas franquias. O maior exemplo aconteceu a meio do ano passado quando foi concluída a venda de uma das franquias mais desejadas do mundo: os míticos LA Lakers foram vendidos por 10 mil milhões de dólares.