Os mercados iniciaram a semana a registar ganhos, com especial foco nos mercados japoneses, que reagiram favoravelmente à vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi, no domingo.
Os analistas da XTB referem que “as ações subiram para novos máximos históricos, as obrigações do Tesouro ficaram sob pressão de venda e o iene começou por enfraquecer acentuadamente antes de estabilizar mais tarde na sessão”.
“Os investidores acolheram com agrado a perspetiva de uma expansão fiscal, de um desagravamento fiscal e de um aumento da despesa pública, em especial nos sectores da defesa, da tecnologia e noutros sectores estratégicos. As obrigações do Estado japonês desvalorizaram à medida que os investidores começaram a prever uma maior emissão de dívida e um crescimento económico nominal mais forte. O programa de Takaichi deverá basear-se em estímulos financiados pela dívida e poderá reacender a dinâmica reflacionista, aumentando estruturalmente os rendimentos”, salientam.
Este entusiasmo levou a que o índice japonês Nikkei chegasse a novos máximos na madrugada de segunda-feira. Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, afirma que as políticas da primeiro-ministro “reforçam as perspetivas de crescimento, favorecendo a bolsa japonesa, mas acentuam a pressão sobre as contas públicas, contribuindo para a fragilização do iene, num momento em que a inflação já figura entre as principais preocupações da população japonesa”.
A semana vai ser marcada pela divulgação de dados económicos norte-americanos, mas enquanto os investidores esperam os “preços do ouro subiram no início da sessão de segunda-feira, regressando a níveis acima dos 5.000 dólares”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“O metal precioso encontra suporte numa nova fase de perdas do dólar norte-americano face às principais moedas. O dólar continua a ser penalizado pela estratégia de diversificação para fora da moeda norte-americana adotada por alguns investidores, enquanto as expectativas de pelo menos dois cortes nas taxas de juro em 2026 estão a criar um vento contrário adicional para a divisa dos EUA. Esta dinâmica está a apoiar os preços do ouro, refletindo a relação inversa entre os dois ativos”, explica o CEO da ActivTrades.
Na sexta-feira serão publicados o relatório de emprego Nonfarm Payrolls referente a janeiro, assim como os dados da inflação, indicadores que “poderão influenciar as expectativas quanto à trajetória da política monetária da Reserva Federal e, consequentemente, o preço do ouro”, salienta.