As eleições foram adiadas uma semana no concelho de Alcácer, mas a população não está convencida em ir às urnas no próximo domingo. A comunidade, ainda a lidar com as consequências das cheias, vive um cenário descrito por muitos como uma “guerra”, onde as prioridades são outras e as eleições parecem distantes.

“Vivemos uma guerra, ninguém se lembra de eleições”, desabafa um residente, ecoando o sentimento geral de que a situação de emergência sobrepõe-se ao ato cívico. Outros habitantes expressam o receio de que as cheias não passem a tempo, criando insegurança logística e emocional. Há ainda quem questione a utilidade do voto, argumentando que “não faz sentido ir votar agora que António José Seguro já foi eleito”, numa referência ao resultado conhecido noutra circunscrição.

O adiamento das eleições, decretado devido às condições meteorológicas extremas, não parece ter acalmado os ânimos nem garantido a participação. “Não há condições morais”, ouve-se nas ruas de Alcácer, num misto de desalento e foco na sobrevivência imediata. A reportagem do RR revela um eleitorado dividido entre o dever cívico e a dura realidade de uma calamidade, colocando em causa a afluência às urnas no próximo ato eleitoral.