Mais de 3.400 empresas recorreram às linhas de crédito que estão abertas para a tesouraria e para a reconstrução, num montante que já ultrapassa os 790 milhões de euros. Perante a destruição registada por causa das tempestades que assolaram o país, avoluma-se o número de empresas que pedem ajuda com o recurso significativo às linhas de crédito para empresas e aos apoios destinados à reconstrução de habitações, que estão a ser operacionalizadas pelo Banco Português de Fomento (BPF).

As duas linhas de crédito de emergência, lançadas na semana passada pelo BPF, estão disponíveis para contratação e liquidez a partir desta segunda-feira. São 1.500 milhões de euros dirigidos às empresas afetadas pelas tempestades, para colmatar necessidades imediatas e apoiar a reconstrução de instalações e equipamentos.

Até esta quinta-feira, 12 de fevereiro, contabilizam-se já candidaturas no valor de 795 milhões de euros às linhas de apoio à tesouraria e à reconstrução, anunciadas pelo Governo para fazer face aos efeitos do mau tempo, num total de pedidos de 3.435 empresas, segundo dados avançados ao JE pelo BPF.

O recurso a estas linhas não cessa de aumentar, após o CEO do BPF ter feito o balanço das linhas de apoio no Parlamento nesta quarta-feira: a 10 de fevereiro havia 162 empresas com 62 milhões de euros com contratos emitidos por seis bancos. Números que, à data de ontem, eram já de 213 empresas com 81 milhões (contratados e em contratação). Aos deputados da comissão parlamentar de Economia, Gonçalo Regalado traçou um paralelo entre a rapidez na catástrofe causada pela depressão Kristin e a situação também excecional vivida na pandemia, quando os apoios chegaram às empresas apenas em maio, apesar da chegada da Covid-19 e subsequente declaração do estado de emergência em março.

“Fizemos agora em nove dias o que se achou fantástico fazer em nove semanas”, resumiu o CEO do BPF, lembrando a simplificação de processos que permitiu a antecipação do calendário de implementação das linhas de apoio.

Gonçalo Regalado deu ainda conta que o BPF recebeu 2.038 candidaturas aprovadas em sete dias, com uma dimensão de 627 milhões. Números que, passados apenas dois dias, ascendem já a mais 168 milhões de euros, com pedidos de mais 1.397 empresas. “Todos os bancos já apoiaram, todos estão a mobilizar-se para visitar as empresas para recolherem as declarações e fazerem este trabalho”, disse Gonçalo Regalado, dando conta de que os contratos foram emitidos por seis bancos, os cinco maiores bancos do país e o Crédito Agrícola, que, diz, “tem um peso muito substantivo nas regiões afetadas.”

BCP e CGD lideram

Com base no balanço apresentado no Parlamento, o BCP e a CGD são os bancos responsáveis por mais de metade do total das 2.038 candidaturas, com 1.160 empresas (57%) que pediram 381 milhões de euros das linhas de apoio (61%), dos quais 208 milhões ao banco privado e 173 milhões ao banco do Estado, com 647 e 513 candidaturas, respetivamente. Seguem-se o Novobanco e o Santander, que representam 170 milhões dos apoios reclamados por 605 empresas.

Ao nível de candidaturas completas na linha de apoio à reconstrução, o BCP contabiliza 175 milhões relativos a 563 empresas, a CGD é responsável por 138 milhões referentes a 437 empresas, o Novobanco com 85,3 milhões (185 empresas), o Santander com 51,4 milhões (305) e o Crédito Agrícola com 48,5 milhões (205). Quanto às 162 empresas com 62 milhões de euros com contratos emitidos por seis bancos, a CGD lidera com 26,4 milhões (55 candidaturas), seguindo-se o BCP com 22 milhões (50 candidaturas) e o Santander com 5,3 milhões de euros (28 empresas).